domingo, 23 de maio de 2010

parafraseando eu mesma

Bom dia professor.

Deus te abençoe nessa manhã aberta: é a alegria da geléia e a excitação do café: o dia divino de cada momento único. Ah! Escolhas: goiaba ou framboesa? De que me vale a certeza? Escolho sempre dividida e a escolha é essa: perder-se pelas linhas. Nesse momento o auditório da EAPE lotado, vamos seguindo e fazendo história: manada de bois que determinam os destinos das paisagens infantes, as virgens que saltitam pela Terra. Veja: é tão simples: destrua todas as cartas em que talvez eu tenha mencionado minha mãe e guarde as outras dentro de um grande e grosso saco sobre um assoalho antigo e lá esqueça, até que tenha esquecido também de mim e o tempo tenha por sua vez se esquecido de nós e possamos descansar sem culpa ou rancor.

É isso, professor.

Quem te escreve não é sua aluna, é um reflexo do que ela foi.

Estamos do outro lado e adentramos o mistério e é o mesmo barco: construído como queremos e ele ainda flutua, onde nasce a luz e o buraco negro apesar dos pesares.

O Gessinger já sabia ao sabor do acaso.

Morre.

Flutua.

Entende?

Revulocione!

O trabalho mercantil é burrice.

Trabalhe de graça, como os poetas!

Abraços de pupila



in.: cartas p/ o professor

quinta-feira, 20 de maio de 2010

UBALDO RIBEIRO, João

"(...) A alma não aprende nada enquanto alma, necessita da encarnação para aprender, (...)
Há poucas almas novas, embora todos os dias algumas sejam criadas, na grande sopa cósmica que rodeia os planetas e as constelações. Sabe a moderníssima Biologia que, há muitos e muitos milhões de anos, não existiam seres vivos, mas as substâncias que hoje os compõem boiavam soltas no caldo primordial dos mares e então, num lindo dia de sol, a luz bateu sobre algumas dessas substâncias bem ha hora em que o balanço das ondas as aproximava, com o resultado de que apareceu algo vivo pela primeira vez. A mesma coisa que os sábios mostram ser tão simples se dá com as alminhas novas, quando se formam na grande sopa cósmica. As alminhas são como certas partículas de matéria, também descritas pela moderníssima ciência, que têm cor, sabor e preferências, mas não têm corpo nem carga. Tanto as alminhas quanto as partículas não obstante existem, tudo dependendo da inquantidade de nada que não entra em sua incomposição e, com quase toda a certeza, de outras condições científicas, tais como pressão, temperatura e a presença de bons catalisadores para reações de nada com nada. Então, nas amplidões siderais, imensuráveis e copiosas não-massas de nada escorrem, obviamente sem qualquer velocidade que lhes seja inerente, para juntar-se nas proximidades de algum poleiro d'almas. Se o nada procura os poleiros d'almas ou se os poleiros d'almas procuram o nada, não há como saber. O fato é que, nas vizinhanças de um poleiro d'almas, o que ocorre é nada, nada por todos os lados, uma infinitude de nada inimaginável em toda a sua inextensão. Nada e mais nada e mais nada e mais nada ali se vai aglomerando, até o ponto em que se acumula tanto nada que ele se transmuta num nada crítico e desta maneira surge algo desse nada. Não mais é, essa repentina não-forma do nada, que uma almazinha nova, inexperiente e inocente como todas as criaturas muito jovens, por isso mesmo sujeita a grande número de percalços, pois a única coisa que sabe é que deve ir para o Poleiro das Almas, empoleirar-se com as outras e esperar a hora em que terá de encarnar para aprender. (...)
Quando, fortuitamente, o Poleiro das Almas está repleto de almazinhas recém-nascidas, a agitação febril de tantos jovens ansiosos pelo aprendizado e pelo cumprimento de suas sinas chega a fazer fibrilar o cosmo e a perturbar um pouco o perfeito funcionamento dos relógios astrais e demais mecanismos celestes. Nesses casos, é comum que, em revoadas nervosas e espasmódicas, como lavandeiras que estejam a mariscar e sejam espantadas por uma pedra, as almas novas desçam iguais a flechas em direção ao planeta, chispando de um ponto a outro com a velocidade de relâmpagos, até acharem um ovo, um útero, uma semente, algo vivo para animar. E, naturalmente, não descem como desceriam se fossem corpos, talvez propriamente nem desçam, já que suas trajetórias são simultaneamente perpendiculares aos planos de todas as três dimensões e, se não é possível compreender isto, é porque pouco se compreende de quartas, quintas ou sextas dimensões, inclusive as almazinhas, que, assim, antes de chegarem, nunca sabem onde estão. E dá-se muito que a primeira encarnação das almazinhas não seja em gente, mas em bicho ou planta, (...)

in.: Viva o Povo Brasiliero

domingo, 16 de maio de 2010

brasília e memória místicas

Vida frenética e sem freios, espevitada e desastrada, escorregadia e indecifrável! Ah, mal sobra tempo para as coisas boas da vida: a soneca depois do almoço, as cartas para os amigos, os banhos de cachoeira, os passeios pelo pôr-do-sol...

Mas não há tempo a perder: vou ser feliz agora mesmo, quando te vejo chegando no aeroporto visitando essa Brasólia seca e esquisita. Cá estamos na capital corrupta do país. Mas veja: os hospitais estão em ruínas e a Câmara Legislativa tem até cinema: imponente e exibida no eixo monumental dos superfaturamentos! Veja: as escolas estão ao léu, os pontos de ônibus são feios, as obras estão paradas: ô cidadezinha mal amada essa viu!

(...)

De qualquer forma, podemos esquecer tudo isso e assistir os filmes gratuitos no Cine Brasília ou pegar o ônibus de graça pro CCBB e ver qualquer exposição que lá esteja. Ou ainda podemos ver o pôr-do-sol na Ermida (o ruim é chegar lá de ônibus) e se deslumbrar com esse céu maravilhoso. Depois a gente passa na rodoviária do Plano Piloto e come um pastel na Viçosa. Aproveita e passa na farmácia e compra um sal de fruta e vai dar uma olhada nos produtos dos ambulantes. Tem uns hippies artistas que de vez em quando pintam em frente do Conjunto Nacional. Depois a gente arruma grana, pega um táxi e vai pro Cine Academia ver algum filme alemão ou iraniano.

Seria legal.

E assim, imaginando, te encontro por essas bandas daqui, mesmo você estando nas bandas daí.

Mas cá eu, aprendendo a ser melhor e tentando sanar as dores, trabalhando despreocupadamente e esperando a UnB sair da greve. Pensando nas filosofias. Amando os amigos. Torcendo por dias melhores. Ruminando as dúvidas.

Fico imaginando como você anda e logo penso: com as pernas, é claro! E aí sorrio e penso na beleza charmosa do olhar oblíquo e no sorriso seu aberto e delicioso. Aí agradeço a Deus por ter criado os seres e busco no coração a oração mais apropriada.

Ahôôô! Ê trem bão divino!

Somos pequenos cristais vibrando as energias do espírito! Alegria e tristeza em doses individuais! Mensageiros do amor e guerreiros do bem!

Ahôôô!

É bom viver

Também é bom.

Ensinamentos que nos trarão tesouro,

Essa vida.




in.: cartas p/ vivi

terça-feira, 11 de maio de 2010

aleatórias

É hora de recomeçar. Por onde andamos? Jovens da era sem nome, essa do agora.
Bem antes de nascer eu temia o nascimento mas corria pelos reinos do espírito feito criança a brincar, para esquecer da noite em que dormiria para renascer.
(...)
Aonde vamos é mistério para todos.
O que queremos só não é mistério para nós.

in.: cartas secretas p/ D.

domingo, 9 de maio de 2010

yindo e yangando II ou pêndulo giratório

(...)
negra me visto não pelo sinistro desta cor mas pela beleza do branco brilhoso no negro arrebatador do espaço: "luz que se fez então... a dor da respiração..." Nasci.
Eu era estrela
No céu pulsante
Vibrei e descobri a alegria
Mudei e fui descoberta pela tristeza
Assim sucessivamente

in.:cartas p/ dulcinéia

terça-feira, 4 de maio de 2010

DOMINGO 2 PELA TARDE

Debaixo de duas árvores das favoritas
Entre a loucura e a preguiça
Deita a voz do ser humano só
Eu.
Dentre eus, Deus.
Palavra anunciada sob a lótus de minhas pernas.

Eu de Deus e Eu e Deus
De mãos dadas
Em qualquer lugar debaixo de duas árvores das favoritas.

Os pássaros param
A dor é sentida.
No leito da Terra a
Solidão espera.

in.: os cadernos para mim mesma

domingo, 2 de maio de 2010

yindo e yangando

E tenho sido mais grata ainda, nesses dias em que encontro ainda mais seres humanos que me comovem. O amor brota aos borbotões: me apego aos amigos com a serenidade de uma ermitã solitária: sei que eles também irão embora um dia, mas aprecio cada segundo em que tenho a companhia deles, e sei que sua lembrança estará para sempre comigo.

Nem tudo são flores, contudo. Por vezes acordo amaldiçoando a vida e praguejando com o sol. Às vezes sinto Deus distante como uma idéia vaga. Outras vezes deixo cair lágrimas pela minha condição [...]. E, no entanto, sei que tudo é questão de tempo e, num piscar de olhos, lá estará eu agradecendo a vida e admirando a beleza desse mundo. É o espírito do invisível se revelando diante de meus olhos incrédulos. E então a idéia de Deus se me torna íntima, e eu sou toda agradecimentos.



in.: cartas para amarante

terça-feira, 27 de abril de 2010

VERÍSSIMO, Érico.

"Um dia caiu um raio na casa do velho Galvão, matando-o e ferindo-lhe a filha. 'Deus castigou. Eles eram muito malvados.' Além do castigo da professora, do castigo dos pais da gente, havia então um castigo maior e mais tremendo - o castigo de Deus?
Eugênio temia esse Deus que em vão a mãe lhe queria fazer amar. Quando à noite rezava o 'Padre nosso que estais no céu...' - ele imaginava um ser de forma humana mas terrível, misterioso e implacável. Era invisível mas estava em toda parte, até nos nossos pensamentos.
(...)
- Se Deus existe, então por que não se revelou?
- Porque até Deus precisa de oportunidades. (...)
- Se Deus existisse, eu já o teria encontrado.
(...)
- Vocês ateus nos querem tirar Deus para nos dar em lugar dele... o quê? É o mesmo que tirar pão da boca de quem tem fome e dar-lhe em troca um punhado de cinza ou de areia.
(...)
- Não te esqueça de que Cristo ressuscitou Lázaro. (...)
- Isso foi no tempo em que Jesus andava pelo mundo. (...)
- Mas Jesus ainda anda pelo mundo. Será preciso que a gente só acredite no testemunho dos cinco sentidos? Jesus nunca deixou de estar no mundo. O pior cego é aquele que não quer ver.
Ele sacudiu a cabeça com obstinação. Não lhe era possível distinguir a imagem de Jesus no meio daquele matagal cerrado de problemas, idéias confusas, conflitos, interesses cruzados, dúvidas e baixezas. E, se Jesus ainda estivesse na terra, decerto como medida de defesa se tinha adaptado à miséria do mundo, como um camaleão. Quis dar palavras a esta idéia. Um secreto temor, porém, o deteve. "


in.: Olhai os Lírios do Campo

domingo, 25 de abril de 2010

descrição

Dentro do ônibus
Balouçando a caneta
E ainda desencontrada
Pela força de ervas sagradas
Cipós de braços milenares
Entrecortada pelo espírito do ônibus
Nessa manhã de domingo candango
Buscando força no sonho
Na luz que por mim atravessa
Os cantos de espíritos ancestrais.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

BRASÍLIA 50 ANOS

A esquadrilha da fumaça dá rasante pelo céu. Sou tomada pela minha tristezaalegre enquanto o feriado no parque da cidade pinica sob a sombra gostosa de uma árvore e eu penosa tento recolher os cacos da minha intrigante história. Com lágrimas nos olhos e sorrisos nos lábios desfaço meu tempo desacreditando no amanhã e buscando toda a enorme força do hoje em que me espelho: reflexo mutante como a Brasília Elefante que se me atravessa com a esquadrilha da fumaça passando novamente no céu que se azula amarelando as nuvens. Que houve com os sonhos de Brasília? Em que latrina deram nossos representantes!
Mas o avião novamente
A ex-quadrilha
De novos candangos
Atravessa o céu da poesia e,
Quem diria
Sonha com dias melhores
Em ressacas de shows gratuitos.
Pedalando bicicletas em tardes verdes
No parque da cidade
Renatando as camelas
Recortando a semântica
Destilando os venenos
Amaldiçoando folhas de arruda
Impotente diante dos jornais
Ouvindo GOG dar idéia
E todo mundo ouvir
E ninguém fazer nada
E beber mais uma gelada
E fumar mais uma marafa
E ninguém sem fazer nada
Os pobres ouvindo, os pobres morrendo
Os ricos sorrindo, a miséria crescendo
E Brasília escancarada:
Babilônia
sodomizada!
Senhor Deputado,
onde quer levar o dinheiro?
No pé ou na bunda?
Meia ou cueca?
Que vexa!
Brasíla 50 anos. Onde sonhastes teus sonhos?
Teus filhos são tão medonhos
Teus risos, aleatórios
Tuas pragas,
licitações roubadas.
Assim termino, com uma trava no verso, diante de meus excessos da vida que me vivi, dos sonhos que deixei desacreditados.
Da descrença mórbida diante do futuro do capitalismo totalitário.
Eu sou Brasília
No verso que é desenhado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O VIOLETAR-SE

Posso dizer que estou redescobrindo-me e essa é a chance de compreender melhor a solidão e não mais temê-la, pois tudo tem sua razão de ser.

Estou cansada de obsedar-me.

Hoje pela manhã a tristeza soou viciada e cega, inescrupulosa tristeza. Me pegou pelas costas, deu-me uma chave de braço e me imobilizou no chão.

Não é momento de explicar-te: é momento de descrever-te o tom: o tom cinzento azul do momento, em breve violetar-me-ei.

A cura vem de cima e dos lados.

Estou cruzando oceanos de milênios.

As vidas, os castigos, os prêmios.

Transmigrações.


in.: cartas p/ amarante

terça-feira, 13 de abril de 2010

VERÍSSIMO, Érico.

"- Mas vosmecê nunca pensa em Deus?
- Uma vez que outra.
- Não reconhece que Ele fez o mundo e todas as pessoas que há no mundo?
- Se Deus fez o mundo e as pessoas, Ele já nos largou, arrependido.
- Não diga tamanho absurdo! Se Ele tivesse largado, tudo andava de pernas para o ar.
- E não anda?
[....]
- Deus escreve direito por linhas tortas.
- Mas o diabo é que ninguém sabe ler o que Ele escreve."

Diálogo entre o Pe. Lara e Capitão Rodrigo Cambará
in.: Um Certo Capitão Rodrigo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

contatos

Não tenho mais prisão
Pois o espelho é a trapaça
E o ego a ilusão.
Estou sob ondas de luz sem nexo
Rogando a anjos
Sonhando com rimas
Pedindo cores.
Uma aleluia albina pousa sobre meus pés descalços.
Os grilos me abraçam.

in.: os cadernos da chapada, vol. III

quinta-feira, 8 de abril de 2010

confuso porém incluso

O papel compartilhado com os recados cheios de pressa no despertador atrasado e as letras de música, a suavidade das páginas sendo viradas a cada quebra contextual das páginas: dedos, segundos, olhos. O sussurrar das frases enquanto o tempo passa e o espelho grita sem ser ouvido enquanto a casa é talhada na pedra do ser e os séculos gritam cheios de temor, mistério e, principalmente de, gratidão.

A graça que nos é dada no primeiro vislumbrar da manhã na Terra: odisséia nossa de mundos e vidas. Propagação do amor. Ilimitude cíclica e sísmica.

Eis a humanidade orando frenética no deglutir da maçã.

Somos um e pagamos por todos.

Vivamos em todas as letras em direção ao amor e através da guerra.


in.: cartas p/ natália

domingo, 28 de março de 2010

ROSA, Guimarães

"- Seu doutor, a gente não deve ficar adiante de boi, nem atrás de burro, nem perto de mulher. Nunca que dá certo..."

Conselho de Tertuliano Tropeiro ao Seu Doutor, em "Minha Gente"
in.: Sagarana

sábado, 27 de março de 2010

oração

Maestro de todas as orquestras cósmicas
Senhor dos senhores do mundo,
lance sobre os seres terrestres toda
sua misericórdia
E conceda a eles a vida eterna
nos muitos dos seus braços.

AMÉM, TREM

terça-feira, 23 de março de 2010

os caminhos

Assim andamos pelos sagrados caminhos dos encontros desencontrados. Pousamos nossos olhos na estrada e cingimos os ombros como valentes à espera da morte. Veja: o pássaro voa sabendo por onde mas não se importando para onde. O sol não hesita em sua direção.


in.: cartas para mim mesma. 21-02-10

sábado, 20 de março de 2010

brasília babilônia

Árvores em Brasília e políticos marginais soltos pelas ruas com suas artimanhas assassinas.
Arruda, P.O. e sua corja de lambe-solas vendendo as almas pelo ídolo dinheiro: bezerro de ouro! Mera ilusão material: expressão inequívoca do mal. A ruína moral dos líderes demonstra o aceno do apocalipse: anuncia-se a tragédia dos pais que traem os filhos e dos políticos que enganam seu povo.
As imagens de madeira choram e as crianças perdem a inocência ainda no berço.
Oremos pelas nossas almas.
Olhemos pelos nossos rios.
Roguemos à terra misericórdia
E a Deus humildemente peçamos:
Que a justiça haja para todos nós.

in.: cartas para mim mesma, 10-03-10

quarta-feira, 17 de março de 2010

ROSA, Guimarães

"Inútil nos defendermos, Bento! A tristeza já veio, já caiu aqui perto de nós. Eu estou pensando... Talvez, num lugar que não conheço, aonde nunca irei, more alguém que está à minha espera... E que jamais verei, jamais."

Minha Gente
In.: Sagarana

terça-feira, 16 de março de 2010

sobre as lembranças ruins

BRANDI x TERESA

[b]Brandi.[/b] diz:

estou com raiva.

Teresa diz:

não está

[b]Brandi.[/b] diz:

com raiva

Teresa diz:

está só passando por um momento ruim q, com certeza, como qualquer outro momento, passa

[b]Brandi.[/b] diz:

nada passa

[b]Brandi.[/b] diz:

é mentira

[b]Brandi.[/b] diz:

nunca passa

[b]Brandi.[/b] diz:

vai tá contigo, sempre

[b]Brandi.[/b] diz:

gravado

Teresa diz:

mentira é querer acreditar nisso q vc disse

[b]Brandi.[/b] diz:

é verdade

Teresa diz:

de alguma forma, vc leva lembranças.

Teresa diz:

mas elas tb vão ficando rarefeitas

Teresa diz:

e são lembranças bem guardadinhas, dentro do fundo da gaveta



in.: crônicas de messenger on line

sexta-feira, 12 de março de 2010

sobre duas árvores na octogonal

(...)
Há duas árvores cujos nomes não sei.
Uma tem folhas largas e grossas.
A outra, pequeninas e suaves.
Uma deu sementes que crescem exatamente aqui do meu lado.
A cria da árvore de folhas largas floresce rente ao tronco da árvore de folhas suaves.
As duas árvores estão crescendo uma filha.
Ela é linda e me sorri tão feliz.
Sua mãe de lá lhe criou e cria, sua mãe de cá a protege.

...

in.: cartas para mim mesma, 21-02-10

segunda-feira, 8 de março de 2010

SOBRE O AMOR EM CARTAS

OH! PARA QUEM ESCREVO? LAMPEJO!
VEJO OS OLHOS DE HELOISA, DE LUCIANA A SILHUETA
OS LÁBIOS DE CLARICE, A MÁGICA DAS PALAVRAS
OS CABELOS DE HENRIQUE, DANÇA DE VIVIANE
MÃOS DESCONHECIDAS MAS BRANCAS COMO A CLARIFICAÇÃO DAS IDÉ IAS

LUZ. LAMPEJO! GABRIELA!
QUE MÃOS SÃO ESSAS QUE DIZEM AIS
E A BOCA CALA , PEDINDO PAZ?

OUÇA: A VOZ É VIDA, GRITE POR ELA:
VENHA, FLECHA DE EROS.
VOA, DOR DE PLATÃO.


in.: cartas p/ g. branquinho

sexta-feira, 5 de março de 2010

recados internéticos para luis

grande comunicólogo, há qto não nos teclamos! a vida faz e desfaz os laços e nós, e lá vamos nós aprendendo a arte do encontro! te reencontro aqui, entre os dígitos binários, apenas para dizer: um, dois, lembrei de você, três, tiau! nos vemos um dia, quem sabe, em breve farás anos e me lembrarei novamente de você, que deus te abençoe, com ele encontramos a luz que guia em qualquer escuridão! sonhe, luis, voe entre os braços do tempo e abrace-o: a vida é um deslizar sem tréguas, mas não se entregue à correnteza: tudo há de se dar conforme deus quis: então lute, para que sua causa seja a única correta.

deus é um e está dentro de você

te amo mesmo sem te conhecer

pratique isso. um beijo.




quinta-feira, 4 de março de 2010

ORAÇÃO DE INSPIRAÇÃO LAKOTA

vamo q vamo vou


Oh GRANDE ESPÍRITO, PAI e MÃE de todos os seres viventes
que caminha nas asas do vento e sua voz se faz nos trovões.

Abençoe toda a humanidade, traga luz a nossas mentes.

Que um país não guerreie o outro, que haja paz nos corações.

Que forjem estufas de seus canhões e sementeiras de seus mísseis

Que contemplem a mãe natureza, compreendam suas leis e lições.

Que saibam que a única vitória é a que não deixa derrotados.

Que toda ação e palavras proferidas sejam na direção do amor

Que os víveres de todos os planos possam se sentir amados

Que teus olhos e ouvidos vejam e escutem este clamor.

Que desvaneça o egoísmo e que surja a luz da generosidade.

Que desvaneça a ignorância e que surja a luz da compreensão.

Que desvaneça a falsidade e que surja a luz da verdade.
Que compreendam a felicidade que provém de suas mãos

Que acordem da ilusão das drogas, que saiam da iniqüidade.

Que alcancem o equilíbrio entre o espírito e a razão.

Que se libertem da ilusão da culpa e que vivam a verdade.

Que alcancem o estado de Buda e gozem da liberdade.

Que saibam que o que sai do DIVINO também é divindade.

Que o CRISTO interno dos homens já se torne uma realidade.
Que conheçam o espírito de tribo e que vivam em irmandade.

Que todos compreendam de vez, que para um mundo de paz.

Um sorriso e uma mão firme estendida, muita diferença faz.

Mitakue Oasin.



fonte: céu nossa senhora da conceição

segunda-feira, 1 de março de 2010

sobre os sentidos da vida

Que é que há, Clarice? Eu filosofo sem ter ponto de chegada. Eu estou assustada pelo mundo, dividida pelas minhas relações duvidosas, extremamente cansada de ser cizânia e bizonhice: porra, Clarice, chega.
É claro que há esperança. Ela só pode residir em nós mesmos! Você sabe disso melhor do que eu: olhe pra dentro de si e veja! Eu descobri o meu caminho e digo-lhe: foi sozinha. Só eu e Deus, e Deus nada mais é do que a mais profunda solidão. Então todos os dias encontro-me com esse Divino ao me encontrar comigo mesma. E agradeço: ALHAMDULILLAH, AMÉM, SARAVÁ EU CREIO.
A morte é o fim da estrada, mas é o início do descanso para a próxima jornada.
Lembremo-nos disso sempre, pois o nosso juízo final chegará: ele virá após a última respiração e sim, todos verão o dia das revelações pois todos teremos a fronte tocada por Anúbis: o chacal nos acompanhará através do portal e nos mostrará que Deus nada mais é do que tudo, qualquer um pois o um é único, divino.
Os anjos me dizem que hoje eu sou.
E assim sou, Clarice. Admiro a transcendência e creio no contato. Estou distante de tudo, mas sou o tudo, ao mesmo tempo, e por isso estou aqui contigo pois a distância nos sustenta mas ela se desfaz com um mero mover de células: a alma vibra os neurônios. Pensamento. Pensavento. Sentimento. Sentivento.
Amiga.
Não entenda.
Sinta.
É maravilhoso viver.
É único e passará
Como passaremos
E passarinhos.


in.: cartas p/ clarice, nov/2009

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

encontrando as vozes

Eu acredito em Deus e acredito que Maomé tenha sido um dos mensageiros. Mas sei também que mensagem alguma é eterna pois nada permanece, muito embora tudo esteja conectado: e vieram Abraãão, Moisés, José, Davi, Jesus, Maomé, todos homens de muita fé guiados pelo único Deus que já existiu: Ele, o único, o inapreensível, o onisciente, ALLAH. JEOVÁ. JAVÉ.

Quaisquer sejam os nomes que queremos dar a ele que nos diz com todas as letras:

Qualquer oração tem poder.

Amiga. Deus é o maior. Só ele permanece, e, mesmo assim, nunca é o mesmo. Veja: todos os profetas já se foram, não voltará a voz. Esperamos a grande mudança, o tempo da revolução do espírito: o homem reencontra Deus à medida que conhece a si mesmo. E então ele vê que Deus é o maior e nada suplanta essa realidade. A oração cresce e se torna obra de vida.



in.: cartas p/ vivi, outubro/2009

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

cingi os espíritos

Quem disse que estamos prontos pra morrer? Se nem para a vida estamos prontos, por que estaríamos para a morte?
Ah, meras ilusões. Eis a vida pronta especialmente para a gente.
Bem-te-vi que pousa no galho: ela é fêmea pois não veste a máscara negra. Ela foi embora quando eu levantei o pescoço para não vê-la no braço da árvore que balançava. Ela tinha flores amarelas e sementes que pendiam em vagens sim vastas paisagens se dissolvendo em vida. O vento que me vibra. Os bem-te-vis cantantes. As nuvens que se assomam. Os prédios que se vingam. A anciã que espera. A criança que ainda não foi.
Quem disse que não estamos prontos pra morrer?

in.: carta p/ o sapo e as borboletas

domingo, 21 de fevereiro de 2010

em honra às lágrimas

Todas as lágrimas são justificadas.

Quando caem é para serem verdadeiras

Mesmo num palco de teatro

Ou numa sala de delegacia escura

As lágrimas são lindas

Pois ora, veja a criança que chora

com as mãos cruzadas

e as cabeças entre as pernas

as culpas e as cruzes

não seria sua face

molhada e contraída

o espelho

da própria beleza

de Deus?

Mas não chore,

criança.

É tão bom brincar!.



in.: cartas p/ hugh link

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

o espírito criança

Sim, me lembrei já que ontem outro meninim ligou serelepe pra mim, e a meninice custosa dando cambalhotas pelo texto para relembrar nossas gargalhadas de crianças, éramos pequenos mas sabíamos conversar com os animais, as árvores e as pedras, habilidade que perdemos estupidamente quando nos tornamos adultos; mas o menino gritava: pelota! E era uma bola latina descalça no asfalto, pelada, hermanos e irmãos jogando juntos no mesmo time:
Hasta la revolucion del
Espírito que enche-nos de luz.

Não é preciso saber como. É preciso saber que é.

Sim, pois o sentido é encontro,
Esse é o encontro: sentido!
Eu, você, ele, elas, todos. Um lapso cheio de encontros cósmicos.
Quantos somos, quantos fomos, quantos não somos mais.
Poeira divina
Carreguemos o arsenal do amor. Amém

É bom: luz é Deus. Até a planta sabe.
Vida. Que divino!


in.: cartas p/ felipe

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

sentires

O sentido da vida são sentires

O som da água corrente

A palavra acuosa

A aranha tecendo sobre nós

Os seus muitos olhos.

Bem, o sentido da vida são os encontros.

A folha seca que cai sobre o ombro

De novo a aranha pulando sobre o papel

Os olhos que se cruzam

E as existências que se vão quase sorrindo.

Sim, os sentidos da vida.



in.: cartas p/ helô

sábado, 13 de fevereiro de 2010

inspirando guimarães

O Guimarães, aquele rosa. Ele tinha umas tirada cabulosa. Tipo aquela: viver é muito perigoso. Eita verdade incisiva.

Estou naquele dia de alegria dura, de tristeza lânguida. Não sei da Lua, contemplo os dedos e faceio o sono. A alegria existe e é relance: momentos faceiros e súbitos; a tristeza não existe mas dura uma eternidade.



in.: cartas para amarante

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

sobre a viagem

O céu é bem cinza, as nuvens baixas, a terra úmida. Eis o panorama: o ônibus anda e os pássaros voam. Eu me desloco: busco os caminhos que me levarão a mim mesma. Sei que o conflito é iminente: hei de encarar meus demônios, é época de renovação. Meu corpo busca meu espírito: meus joelhos se articulam para que meus pés me sustentem: minha alma tem o peso dos séculos, e ela quer sorrir, pois o conhecimento é a chave e é atrás dele que eu estou indo. As paixões são passageiras. A essência permanece indefinidamente.

Meu nome é Peregrino e eu procuro Deus.

A grande viagem é a vida, e ela não tem volta.








in.: os cadernos da chapada, vol II - Cavalcante

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Descobrir e Cobrir os Irmãos


Pois ora. Pois ore.

A humanidade é linda, assim como toda criação. Há flores sem tréguas murchando no copo com água. A saudade que se escreve nos sulcos dos troncos das árvores. A fogueira queimando a vida e a água molhando a morte. A viagem singular única: transmigração. Estupor e desprezo. Alegria e tristeza. Rancor e perdão. Os nós atravessados nas cordas que se cruzam. A humanidade criada junto com a terra que se torna barro. Amor.

Fim.

Começo.

Acaso.

Destino.

Meio.



in.: cartas para o sapo e as borboletas

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

a unicidade divina

Sim. Sim. O positivo me invade. É a lembrança de Deus molhando a fronte. Os pés massageando a lama, a fogueira que traz calor, os sonhos da realidade que circunda: estamos todos conectados como células num tecido.

Vejo minha avó tecendo a roca. É a sabedoria em doses homeopáticas: essa que vem dos nossos ancestrais. Eu sei que havia algo sagrado em cada colherada de arroz, em cada movimentar de lenhas. Era lindo. Era amor, mesmo o frango que morria, era amor.

Eu sei que não preciso mais temer a solidão, pois é somente ela que existe. Minha avó sabia. Talvez soubesse ainda mais no dia de sua morte.
Estou cheia. É imenso. Graças a Deus.


in.: os cadernos da chapada, vol II - Cavalcante

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

23-05-09

Não compreendo. Os olhos vêem e são eles que dão a forma. Os olhos pintam os quadros. As imagens nos povoam através dos olhos. Também compreendemos com os olhos.

Os nossos olhos devorando a natureza. Ela de verde geométrica em Brasília, ela também de cinza, natureza humana que é, de cinzas e seca e sintética como o pneu que se gruda fervente no asfalto da capital sem freios. Os nosso olhos no carro cinza que passa levando dentro e embora o nosso amor ingênuo de milênios atrás.

(...)

Vejo-me. Sorrio.

Meu único defeito é ser triste.





in.: cartas para o filósofo

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

sobre o clovis

A FAUSTO

Agora é a vez da boemia da destruição consciente:
Eis meu bêbado amigo Fausto
O falso playboy que virou plebeu
E morou na rua
E fumou na lata
E fez tatoo de cadeia sem precisar ser preso.
Eis meu amigo louvando a vida
Do seu jeito liberto sem cabresto
Falando claro mesmo enrolando a língua.



in.: cartas para helô

domingo, 24 de janeiro de 2010

diálogos em casa de elaine

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DIVAGAÇÕES SOBRE A ROMÃ
D: Como era provar a energia da romã?
T: A romã em seu sabor dava pouco mas gostoso.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sobre o Desejo



Vou aos poucos dissecando o meu mistério interior, essa dor de ser fracasso naquilo que mais desejo: o amor, veja, ele me abandonou no berço. Os homens que amei? Meros brinquedos quando eu mal aprendia a andar, brinquedos que me amaram e que eu amei com a inocência das crianças, meus homens que aos poucos foram desaparecendo do meu horizonte afetivo. E então elas por fim chegaram me avassalando e mostrando a cor de seus sexos sedutores e me tiraram a razão quando eu finalmente gozava na cama pela primeira, segunda, décima vez, e então eu enxerguei o céu e vi que o amor era sério, tão sério que me fazia crescer ao ponto de não me bastar em mim mesma e era eu que queria mais e mais mas não sabia como encontrá-lo, o amor que, finalmente, fugiu de mim me deixando enlouquecida e faminta.



in.: cartas para o reich

sábado, 16 de janeiro de 2010

NA VIRADA DO ANO

A virada do ano: almas em orquestra de batuques.

As sentenças cheias de bonança: os gritos de alegria

E o forró de arrasta-pé trespassado pelos pés no azulejo industrial.

A contemporaneidade aguda: lições e erros

As montanhas que tombam e

Os rios que erigem milagres: impérios de pedra e alma.

Somos nós: homens de mistérios

Nós intrespassáveis, indestrutíveis.

Desafiantes à altura de Alexandre:

Golpeados pela vida mas com o gosto dos sonhos nos lábios.



in.: os cadernos da chapada - vol. II - cavalcante

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

DO EFÊMERO

Levatepelotextoqueinexiste
É a vida: perplexa pois pássaros orquestram
E a abelha dança no movimento dos meus olhos
Mas nós não somos nada pois estamos presos no tempo
E o tempo acaba ali.

Maslevatepelotextoqueinsiste
Há o sonho: ele nos lança ao incorpóreo
E aos reencontros por através do caos do cosmos
Mas nós não somos nada pois vivemos várias vezes
E a vida acaba ali.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

a mágica sem oz

Veja: borboletas não têm sexo e mesmo assim só beijam flores coloridas. Não importa o alvo, só o caminho importa: jogar-se nos campos sonoros, adentrar os tijolos dourados, atravessar o tornado, encontrar o coração mesmo que ele seja de lata. A menina busca seu cão e seu cão busca a humanidade: ele quer ter lágrima, ele quer sorrir. A menina sorri e corre, deslumbrada e ansiosa, ela perscruta todos os ângulos, ela se envergonha e se parabeniza. E busca os rastros do cão que passou antes dela, e segue as pistas que lhe são evidentes até chegar ao castelo onde por fim se despe do vestido azul e se percebe mulher e decide adorar o espelho até finalmente mudar e quebrar o espelho para nunca mais ter que ver sua imagem distorcida pela realidade.

E lá ela permaneceu eterna até se tornar não ela e terminar a estória e adentrar novamente a poesia dos significantes espontâneos e a busca é incessante e os olhos querem flores para as pálpebras, borboletas e asas, leveza inventada de sonhos, anjos de carne que aparecem a mortais feitos de luz.


In.: cartas para luciana

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

no bar em taguá

Quando encontro com as idéias do meu tempo
Os rockeiros de barba e os manos com o som nos dentes
Os panos se abrindo com as garrafas de cerveja
E as idéias do underground rosnando em guitarras
Tenho vontade de gemer de alegria
E sugo os sabores da noite urbana
Com os radares ligados: o inimigo não chega aqui vivo
E se chegar puxamos a cadeira e o bicho se senta
Não importa se o desafio é perdido:
As esquinas trazem o consolo dos brothers
Somos selvagens de calças jeans
E temos todos os futuros pela frente.

domingo, 6 de dezembro de 2009

elocubrações filosofais

A morte é a passagem para a ausência de tempo. Quando nascemos, é como o tempo que nos tornamos mulheres, homens, seres. Nos percebemos. Somos e convidamos o pensamento a trotar por terrenos diversos. Somos dentro do tempo e através do espaço.
Quando morremos, saímos do tempo e adentramos a realidade turbilhônica e estática do instantâneo.
Sim, é o tempo que nos traz a vida e ela em nós cultiva. Quando ele nos abandona, somos tragados pelo mistério da morte.
Bendito e maldito tempo, que tudo nos dá e facilmente nos tira tudo.
(...)
Sim. Eis me viva como o vento que sopra sua respiração deliquescida. Milagre do encontro com o além de mim que a mim convida: sinta, a brisa nos traz frescor, ela alivia os terremotos. É o descer do dia trazendo o seu bafo frio.
O fim da vida é como o fim do dia: fogo que se apaga sem quê nem qual.
(...)
Sim. Sim. Estou mais próxima de tudo. Próxima de meu escuro ensurdecedor.
Limitude. Eis minha verdade dolorosa, avassaladora como a morte...
(...)
Nem deus conseguiria me dar o tudo.

in.: cartas p/ clarice

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

sobre a vida e a morte

10-10-09


Diálogo com Rick


“A gente vem sem saber por quê

E a gente vai sem saber pra onde”

domingo, 22 de novembro de 2009

O SINAL DOS TEMPOS SEM DATA

Oh loucura vil dos homens, lançados a suas paixões passageiras como se condenados ao abismo da morte, quando na verdade não percebem que a morte é o caminho turbulento rumo à eternidade e que na verdade é a vida o verdadeiro mistério, a ardência incessante, o fremir do martelo do juiz invisível.
Mas eis nos: sedentos de sonhos como se de água, a procura de um ego como se de deus, movidos por nossas ilusões inventadas, rasgando mandamentos de pedra, apagando os ecos das orações pronunciadas, derrubando cruzes.



in.: cartas para helô

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

PROFECIA COTIDIANA

Agora, amiga, eis a primavera chuvosa de Brasília. Sinfonia de cigarras e árvores de flamboyant. O esverdear dos gramados geométricos.

Nessa manhã cinzenta Deus veio falar comigo através da minha própria boca. Ele dizia da dor de adorar a si próprio, a maldição do espelho, ao mesmo tempo em que me lembrava da liberdade de ser instante, de pulsar em coração e alma. Pela minha boca saíram palavras com o peso dos séculos. ALLAH! Deus fala na língua dos homens, árabe, hebraico ou brasileiro, e eis que eu agradeci pelo poder da respiração que sopra a palavra: AMÉM, Deus é a força que emana do um para os muitos e em direção ao todo inexorável.

Eu nessa manhã pedindo força e empurrando os minutos com as pálpebras cansadas e os pulmões atordoados de tantos cigarros e a mente frenética e o frio na barriga que quer descanso numa cama macia.

Ui. Que letargia. Daí-me forças, senhor.

Pois tem sido assim, amiga. Um desenrolar exasperante de dias. Perdi a a autoridade sobre mim mesma. O tempo me engole e Deus me ampara.


in.: cartas para giuliani.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

no durante era o verbo ou sobre deus e monoteísmo

Gabi. Turbilhão. Eu frenética. É que sou sentimento e quero abraçar o mundo inteiro: quero entendê-lo, deixar que me tome, me use como instrumento: eis Deus sendo todo poderoso, conceito que me invade: é triste, mas vivamos pois ao menos podemos orar e pedir ajuda, já que estamos sós e desesperados e todas as luzes se apagaram, veja, eis que surge a luz e é a palavra, o verbo: palavrear sem freios, deixar que a idéia surja e a esperança resista.


Fim. De novo.

Gabi. Turbilhão. Eu ...
(...)








in.: cartas para g. branquinho

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

carta relâmpago para amarante

Amigo Henrique Machado Amarante.

Por favor, lembre-se: a vida é curta e não há tempo pra besteiras.









Um beijo e um queijo cheiroso.

P.S.: é que tenho que fazer tantas coisas que os espaços em branco se me tornaram tão desejados!