domingo, 15 de março de 2009

carta para luciana

MAIS AMOR...


É muito difícil ter que carregar uma história inteira nos braços. Por isso eu conto várias outras. Para que a variedade labiríntica delas me disperse da minha verdadeira história, tão difícil de ser carregada.

E minha verdadeira estória chora o amor de Werther, de Florentino Ariza jovem, de Riobaldo temeroso. Ontem pela noite, com ela nos meus braços, a estória do meu fantasma de olhos incertos tomou lugar em minha boca e eu não chorei pois precisava engolir a seco e ela me ouviu sem entender realmente e eu me perguntei por que as cicatrizes daquele meu precioso fantasma ainda doem tanto.

Imaginei então que bem dentro delas o ferimento ainda pulsava dor. E pela primeira vez em anos me vi adolescente e aceitei minha ingenuidade. E pela segunda vez em anos vi e senti com todas as letras que meu fantasma me acompanhará sempre que eu tiver uma mulher entre os braços. E já não temi a presença dele, sorvi a dor e me preparei para desafiá-lo.

(...)

Redesenho minha Carlota, minha Fermina, meu Diadorim. Um fantasma de vários olhos no pesadelo das minhas linhas quebradas ao meio. Me trespassa com a rejeição, me traz lágrimas aos olhos, me condena a penitências eternas. Grilhões nas mãos e pernas, mordaças na boca sedenta, vendas nos olhos desencantados. Quero gritar mas não tenho voz.

Ah! Imaginação cortante!

O fantasma.

Na sala de fundo meu amor me espera nua e sem literatura, mas suando poesia.

Não há deslumbramento melhor que a desilusão adocicada pelo livramento.

O mote dos amargurados.

O xote dos apaixonados.

Águas passadas que novas lavarão.



03/03/2009

2 comentários:

André Reis disse...

Lindo o seu texto, mocinha. E ele me faz pensar o quanto é até engraçado a forma que as pessoas passam pelas nossas vidas - e quantas passam.
Beijão bem grandão!
=**************

treta disse...

passemos, passamos
passarão
passarinhos

whatever

xD