terça-feira, 20 de maio de 2008

p/ helô

Já é tarde. Gosto de escrever à luz de velas. A chama alimenta meu pensamento e eu sorrio pois a vela está acabando. Que escrever então, agora que resta tão pouco tempo? (...)
Não carreguemos mágoas, pois estas são pesos imprestáveis. Obviedade. E como não carregar mágoas? No auge de nossa agonia, muitos por vezes deixam de carregar o pão para carregar mágoas e no meio do caminho morrem no amargor da fome e da angústia gloriosa. Como não carregar cruzes e espinhos no decorrer das batalhas de sóis e de luas?
Sigamos, pois. Mas evitemos de todo o coração a corrupção intrigante das mágoas, esses fardos que nos distanciam da simplicidade cortante da vida, essa simplicidade que por vezes brota em olhares de pessoas queridas ou sorrisos de desconhecidos. Essa simplicidade que as flores evocam em cores e formas. Essa coisa tristonha e serena que é existir e por fim perecer...
(...)
A vela se dissipando por fim então o pavio enegrecendo seu último suspiro de luz. O fim da palavra no escuro da noite que se despede no sono, no meu sonho sem velas e cheio de formas.

2 comentários:

bulhufas disse...

Eu queria ter a certeza, como a da lua que ama a noite, dos seus braços no meu colo em dia de desespero. A certeza dos dentes num sorriso de momento agradável. A certeza da tua única presença que me seria viável a qualquer momento...

eu queria. não tenho

Teresa disse...

vc não queria
pois nunca encontraria
a certeza de não estar sonhando