sexta-feira, 8 de maio de 2009

carta p/ g. em março

E, afinal, por que vivemos? Que desígnios intermináveis residem no intervalo de nossa existência? Hoje passei o dia dentro de casa e me senti inútil e confortável. Estou vendo a vida passar e assumindo minha ordinariedade intrínseca. Ser humana e padecer no inferno e mesmo assim ter tempo de inventar algum paraíso.
A vida é tão frágil... Um simples desarranjo orgânico e eu sou tomada pelas garras da morte... E quando eu morrer pensarei novamente: por que vivi? E a resposta não virá pois não terei mais tempo para pensar. Padecerei. Desaparecerei. Não ouvirei os lamentos dos que me amaram. Não decifrarei o mistério da vida e adentrarei o mistério da morte tão ignorante e inocente quanto quando nasci.
E então! Que melancólica essa existência! Que construir, se tudo será destruído inevitavelmente pela ação do tempo? Que buscar, quando o corpo está cansado e a psique abalada? Que fazer, amiga, senão viver e suportar uma existência inteira?

2 comentários:

dom noronha disse...

a morte é apenas passar pelo portão e entrar em uma dimensão diferente, onde espaço e tempo se confundem e não importam mais. não se vive porque se deve construir alguma coisa. é o contrário: deve-se construir alguma coisa, porque se vive. e o resultado dessa construção é que se transformará na lembrança que eterniza, depois de se cruzar o portão. a "eternidade", portanto, está no registro de sua passagem, pelas mentes daqueles que ficaram, que ainda não cruzaram o portão... a morte é apenas um nome diferente para a eternidade.

Patrícia disse...

a eternidade é grande demais...
cabe na morte, pois é mistério...