terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
poema de bar
E tudo era um enleio
Correndo nas veia afora.
Ah, dor que não se demora!
Paz que quer pernoitar!
O amor é uma nota plena
Correndo menor no ar.
O bar! O bar!
Onde mais noitear
Senão nesse mar!
Bohemia minha
Num copo que não quer secar!
domingo, 25 de dezembro de 2011
a comédia trágica
sonhos de seda rasgados
corações violados
em cima do rosto lágrimas
caminhos de rosas secas
roupas manchadas de sangue
a violência da ardência da paixão desvairada
correndo nítida nos fluidos do meu ventre
para sempre: nua e só.
crua como a carne que sou forçada a engolir:
o amor do meu tempo é uma farsa teatral.
e eu sou comédia.
sábado, 24 de dezembro de 2011
O FANTASMA
Há abismos entre os espaços
E cascatas onde correm erros.
Desconexão divina nos meus astrais
Há mulheres em meus sexos
E oceanos onde vagam mágoas.
Pecados coroados em folhas de jornais.
Sonho. E no sonho não sou eu
Mas ele. O grande Outro meu.
Nas brenhas escuras do meu ser
Escondido de mim vil inimigo:
O fantasma de todas as minhas perdas
Assombrando meu sono agitado.
Sangro sonho adentro e ainda sigo.
Sonho. E no sonho me arrependo.
Há pesar quando relembro.
Olhos que me viravam as costas
Sentimento pouco se dissipando
Era gozo, era carne e lágrima.
Ode triste à efemeridade
E eu só que vou despertando.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Eu Sei dos Sonhos das Árvores
Sem precisar deitar raízes
Nos quintais serenos rios correndo águas
Trazendo e levando histórias.
Eu sei dos sonhos das árvores:
São verdes como seus olhos
E trazem o eco dos antepassados.
domingo, 18 de dezembro de 2011
PEQUENO MANIFESTO DE AMOR PÓS-MODERNO
SEM DONZELAS DESPROTEGIDAS!
VAMOS! CHEGA! SEM ROMANCES!
ABOLIÇÃO DOS CASAMENTOS!
DESTITUIÇÃO DAS TRAGÉDIAS!
RIDICULARIZAÇÃO! VAMOS! NÃO!
SEM POEMAS ÁRCADES!
SEM ILUSÕES ROMÂNTICAS!
VAMOS MATAR AS MUSAS
E DEITAR CUPIDO NAS SEPULTURAS!
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
CHEIRA A COR DE DESPEDIDA
Vem chegando a chuva
Pintando meu horizonte
Solicitando minhas lágrimas
Perfumando minha tristeza.
Terra úmida. Verde abrindo bocas.
Vozes de lamentos
Nos salões dos céus.
Toda chuva é uma despedida.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
LIMA, Jorge de
Parece, Senhor, que me desdobrei,
que me multipliquei,
que a chuva dos céus cai dentro de minhas mãos,
que os ruídos do mundo gemem nos meus ouvidos,
que batem trigo, chorando, sobre o meu tronco nu,
que cidades se incendeiam dentro de minhas órbitas.
Parece, Senhor, que as noites escurecem dentro de meu ser múltiplo,
que eu falo sem querer por todos os meus irmãos,
que eu ando cada vez mais em procura de Ti.
Parece, Senhor, que tu me alongaste os braços
à procura de abóbadas raras e iluminadas,
que me estiraste os pés repousantes no Limbo,
que os pássaros cansados em meus ombros repousam
sem saber que o espantalho é a Semelhança Tua.
Parece que em minhas veias
correm rios noturnos
em que barqueiros remam contra marés montantes.
Parece que em minha sombra
o sol desponta e se deita,
e minha sombra e meu ser
valem um minuto em Ti.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
sobre teresa, a treta
Mal tenho escrito, quanto mais cartas. Ando afogando-me no meu cotidiano sorrateiro: os dias passam ligeiro, dentre o trabalho, os estudos e os baseados. Agora sou aspirante a pedagoga. Sou desiludida do amor, sou solitária com leis morais próprias. Sou cristã e muçulmana, umbandista e daimista, hinduísta, hare krishna. Sou infantil e melancólica. Sou tia, professora, poetisa, escritora. Agora sou analisanda e saudosista, me lembro dos momentos felizes e tenho raiva pois sou mimada e quero aquilo de novo aqui e agora. Não cresço porque não quero? Não, não cresço pois não tem pra onde: esse mundo nunca me aconchega bem, é um mundo desconfortável e injusto, esse mundo nosso de carros financiados e impostos de renda, esse mundo dos desejos consumistas e dos amores-quo: ser como são os ricos, estar como estão os bem-sucedidos. Dinheiro e poder! O que é o amor diante disso? Mera fantasia romântica ultrapassada que fracassados vestem para ornamentar suas vidinhas insignificantes. Pois, ora, o mundo é para os fortes, os grandes investidores, o mundo é dos espertos, daqueles com contas bancárias sem limites. O mundo é esse dos casamentos comprados de 2 em 2 anos.
Então não cresço mais pois não caibo nesse mundo. Não, não dá. Vou ficar aqui na minha, pequenina e perdedora. Sem paroxismos: somente isso, essa massa pequenina e amorfa, feita de sentimentos, preenchida com emoções. Eu pequena que sofro de amor e odeio por egoísmo. Eu que erro. Eu que me engano e que me decepciono de quando em quando.
Sou eu agora. Eu solteira. Eu maconheira. Eu que durmo e durmo cada vez mais, pois sou eu: cansada. Estou envelhecendo cedo demais. Mesmo sem crescer: cá eu uma criança velha, brincando sozinha com minhas palavras, sonhando sozinha meus absurdos surreais: pirâmides na Amazônia, encontros com Jesus, a era de Aquário, répteis que rastejam, humanos que voam, lá Maomé entrando em transe, a grande constelação de Leo nos indicando direções, borboletas que me beijam, o bezerro de ouro sendo derretido diante de meus olhos, as repetidas mortes do meu ser, sim, eu sou antiga como as estrelas e você tem estado comigo desde tempos imemoriais, pois você tem a essência mesma no seu peito que pulsa como o meu.
Eu agora. A artista. A errada. A que chora. A que come. A que, ainda só, insiste em ser duas: a que busca no outro a correspondência do olhar, um olhar apenas, aquele olhar, o olhar que é meu e que eu sonho um dia poder ser seu. Esse olhar de Teresa que Deus me deu.
in.: cartas p/ amarante
out/2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
sobre o deus desalmado
Ouço a chuva tamborilar estrepidante no aço do meu carro. Vem do céu e não quer parar: é forte. Mas uma hora acaba, bem sei. Tudo que o bom Deus criou tem que se acabar, e nisso nos indagamos sobre a verdadeira bondade desse Deus: se dá por que tira? Que Deus desalmado!
Mas assim pensamos por causa da nossa pequenice absurda.
Se tivéssemos toda uma eternidade pela frente, talvez soubéssemos que Deus era mesmo desalmado, mas também soubéssemos que morrer era benção.
É fato que Deus nos deu a vida. E se isso não é benção, o que mais seria?
Mas quando ele a tira? Por que razão o faz?
A chuva tamborilando no ritmo do vento. Uma hora acaba e o sentido se finaliza.
in.: os cadernos p/ mim mesma
domingo, 6 de novembro de 2011
aleatórias
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
PEQUENA ODE NAUFRAGADA
Não tenho medo, mas também não tenho coragem.
Cobarde! Fraca! Mas sem medo.
Por isso mesmo um tanto sem juízo
Mas oportunista.
Pois nada tão oportunista
Quanto alguém sem juízo.
Lá de fora correm carros
Engarrafados
E jogados ao mar, carros
Como bilhetes de náufragos
Sem saber aonde chegar
Mas com a expectativa de chegar
Marulhando na onda que leva
Como me leva, e eleva, leve eu
Que não temo em ter esperança:
Garrafas ao mar! Mãos ao volante!
Acende a vela do destino!
Ela lume vagamente
Bruxuleia com o tempo
Magicando encantamentos.
Olhei lá de fora e dessa vez o que vi
Foi uma flor morrendo.
Olhai aqui dentro: a flor é bela
Mesmo quando fenece: é bela.
Que belo então o morrer da esperança!
A flor verde dos amantes
Secando com o correr das lembranças!
Inda bela mesmo sob a débil
Melancolia do adeus:
Lá os bilhetes em garrafas jogados ao mar.
Aqui a espera demorada sem ter onde descansar.
Cobarde! Fraca! Sem coragem de acreditar!
Me vi náufraga naufragada
E ousei decidir ousar:
Não tenho medo
Pois nunca sei aonde vou chegar.
in.: os cadernos p/mim mesma
terça-feira, 25 de outubro de 2011
poema de mesa de bar
Na beira das mesas
Eu, essa orbe de incertezas,
Realizo meus monólogos.
Não há mais filósofos
Nem poetas.
Quanto mais profetas!...
Só há peregrinos:
Incontáveis viajantes
Estrangeiros em si mesmos.
Eu? Não seriam eles?
Os ventos de ontem? Os meses?
As vezes em que me perdi.
Os risos que não soube rir.
Não há vida além da vida.
Todos vão e tudo oscila
Sem nunca realmente vir.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
na cachoeira
Pixaram as pedras da cachoeira.
E lá em cima do morro botaram fogo.
Ali do meu lado meninos de 12 anos fumam cigarro: não os conheço, mas sei que estão perdidos.
E eu sem rumo: escuto o barulho da cachoeira,
canções da natureza nas cigarras que acompanham o sussurrar das águas nas pedras.
Estou melancólica mas o dia está lindo:
ali nuvens cinzas anunciam novas tempestades,
acolá o sol esquenta as rochas onde pixaram sem piedade:

Quem fuma maconha também sou eu.
Quem pixa os muros e os sonhos também sou eu.
Quem escolhe dar os primeiros tragos também sou eu.
Quem taca fogo no mato também sou eu.
E o que é bom e o que é ruim: eu também.
out/2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
sobre o meu tempo
Que tempo é esse?
Tempo onde o real se reduz cada vez mais, onde o virtual comanda e a vida se torna rarefeita. Tempo dos relacionamentos descartáveis, dos amores transgênicos, das paixões democráticas.
E como abomino a democracia, essa faca de dois gumes que nos lega o silêncio de todas as minorias, essa ditadura camuflada onde os generais são as corporações financeiras.
O tempo do meu Brasil de PCCs: Pestilentos Coronéis Corruptos que perpetuam o atraso de séculos de exploração. As incontáveis licitações superfaturadas. O crime consentido a mando da ganância.
Pecado! Pecado! O tempo das evangelizações vazias! O tempo das religiões corporativas! O tempo dos padres que fornicam!
Eis a minha geração que se apresenta nas minhas frases cheias de desesperança e agonizar.
Esperamos o Apocalipse, pois não há mais no que acreditar.
Esperamos o fim, espreitamos algum despertar.
No amanhã
Alguma luz
se descortinará...
out/2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
sobre estar só
Me atravessa o frio da existência.
Tão minha, mas de tão múltiplas essências...
O gélido ardor da solidão...
Não só minha,
Mas de todos os antepassados.
Onde estão eles, dentro de suas mortes tão suas?
Onde residem eles em mim,
Dentro dessas minhas veias tão vivas?...
Mistério em cada porção de ar que respiro.
Inegável medo
Do coração que,
Involuntário,
Bate no peito.
Eu!
Respiro!
Eu!
Suspiro!
Eu!
Retiro inalcançável até para mim, que sinto
E cheiro e ouço e vibro
Tudo isso que sou quando existo.
E me firo. E vomito. Dou um grito
E peço água: estou só...
Será que existo?
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
sobre existir
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
A POR VENTURA MAL-FADADA HORA
A por ventura mal-fadada hora
Do Armagedom.
O sorriso da morte
No fim da última prece.
A estrada do nada
Em direção à sabedoria inesperada.
Veja: a luz cega, a poeira dói nos olhos.
Mas estamos todos aqui.
Viemos ver a por ventura
Venturosa mal-fadada hora
Do Armagedom.
Viemos porque assim quisemos.
E estamos aqui.
Iluminados de fim.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
poema de bar
Na mesa de bar.
Não essa mesa que a palavra espreita
Mas esta mesa onde os versos deitam
E a cerveja faz suar o plástico
E os isqueiros fazem-se enfeites
Para a noite crua.
A rua. O bar sobre a mesa
Na rima que o poema espreita,
No fim que se quer poesia.