sexta-feira, 13 de junho de 2008

SEDE DE MUDANÇA

"AOS LEITORES DE NOSSO POVO, PRIMITIVO, INESPERADO.
SOMENTE NÓS SOMOS O ROSTO DO NOSSO TEMPO.
A CORNETA DO TEMPO RESSOA NA NOSSA ARTE VERBAL.
O PASSADO É ESTREITO.
A ACADEMIA E PUSKIN SÃO MAIS INCOMPREENSÍVEIS QUE HIERÓGLIFOS.
LANCEMOS PUSKIN, DOSTOIEVSKI, TOLSTOI, ETC., DO NAVIO DO NOSSO TEMPO.
QUEM NÃO SOUBER ESQUECER O PRIMEIRO AMOR NÃO CONHECERÁ O ÚLTIMO."

Manifesto Futurista Russo assinado por
Mayakovsky, Buerliuk, Kruchenik e Klebnikov;
Moscou, 1912.

carta p/ d.

Bem, eu escrevo porque estou viva e o papel é simbólico. Esse papel passageiro e sagrado como o verbo, mera fumaça que se dissipa negra pela escuridão...

Apesar de todos esses meus pesares, essas lágrimas de sangue que vez ou outra me povoam, eu ainda sei sorrir o deleite do momento e a intensidade de um instante. Viver é aprender a se suportar diante do espelho, é engolir o remédio amargo para sorver a cura. Viver é deixar-se ser.

E estar viva como ser que sou é escrever com êxtase e desespero, é deixar a palavra ser selvagem e carregar a verdade dolorosa. Estar viva é desistir de tudo e ater-se ao detalhe. É deixar-se perder.

Estar viva é amar sem causa ou conseqüência.
Para mim, estar viva é buscar a todo momento aprender a ser livre.

repetir para relembrar: aindá há algo

carta p/ vivi

O tempo é também é maravilhoso. O tempo nos preparando ciladas e surpresas pela vida afora. O tempo onisciente... "oh, your city lies in dust...". Adoro viver. Fumar o cigarro e comer a maçã. Pensar nas lágrimas como laços de fitas velhas que jogamos saudosos no lixo. A areia da praia por entre os dedos do pé, ao mesmo tempo incomodando e completando. Adoro viver. Deixe-me cavalgar na borboleta agora, e pronto. É isso.

nov/2007

terça-feira, 20 de maio de 2008

p/ helô

Já é tarde. Gosto de escrever à luz de velas. A chama alimenta meu pensamento e eu sorrio pois a vela está acabando. Que escrever então, agora que resta tão pouco tempo? (...)
Não carreguemos mágoas, pois estas são pesos imprestáveis. Obviedade. E como não carregar mágoas? No auge de nossa agonia, muitos por vezes deixam de carregar o pão para carregar mágoas e no meio do caminho morrem no amargor da fome e da angústia gloriosa. Como não carregar cruzes e espinhos no decorrer das batalhas de sóis e de luas?
Sigamos, pois. Mas evitemos de todo o coração a corrupção intrigante das mágoas, esses fardos que nos distanciam da simplicidade cortante da vida, essa simplicidade que por vezes brota em olhares de pessoas queridas ou sorrisos de desconhecidos. Essa simplicidade que as flores evocam em cores e formas. Essa coisa tristonha e serena que é existir e por fim perecer...
(...)
A vela se dissipando por fim então o pavio enegrecendo seu último suspiro de luz. O fim da palavra no escuro da noite que se despede no sono, no meu sonho sem velas e cheio de formas.

meu blog deu TILT

páro no tempo.
20 de maio.
2008.

quem derrubou a ampulheta do tempo?

odeio
essas coisas
digitais.

carta p/ amarante

num mundo cheio de pessoas famintas por um ouvido sincero e um olhar direto, num mundo deturpado pela escassez do tempo que nada mais é que dinheiro,uma criança observa, do terceiro andar de um prédio, seres minúsculos a se movimentar lá embaixo. A criança e sua curiosidade mórbida.

a criança
lá
embaixo vendo a criança
lá
em cima
em sua curiosidade mórbida
faminta de olhos e ouvidos

a criança crescendo em comprando olhos azuis e ouvidos de plástico em 10x sem juros. a criança sem brinquedos de madeira mas com brincadeiras virtuais de dígitos binários. a criança virtual também desaparecendo.
crescendo faminta de pensar profundo
em sua curiosidade mórbida

kings of convenience, failure

Using the Guardian as a shield
To cover my thighs against the rain
I do not mind about my hair

Your jacket may be waterproof
But I know the moment you get home
You're gonna get your trousers changed

Failure is always the best way to learn
Retracing your steps until you know
Have no fear your wounds will heal

I wish I could travel overground
To where all you hear is water sounds
Lush as the wind upon a treeI wish

I could travel overground
To where all you hear is water sounds
To capture and keep inside of me

Failure is always the best way to learn
Retracing your steps until you know
Have no fear your wounds will heal

quinta-feira, 15 de maio de 2008

carta p/ g.

aos poucos sinto-me a envelhecer. os anos se agregando entre os cegos impulsos elétricos do meu cérebro, as lembranças esculpindo lições. fotografias que denunciam e saudam rugas, sorrisos esquecidos por entre os segundos. é lindo e desesperador perceber a areia da ampulheta escoando-se toda pelo frágil vidro da existência.

terça-feira, 13 de maio de 2008

carta p/ amarante

(...)
Pois eu tenho 24 anos e sonho com todos os anos que hão de vir através dos dias. Hoje, meu dia jogado displicentemente num canto da sala, o som mastigando músicas em línguas estrangeiras e o café com cigarros. Amargo gosto do nada, a faxina do banheiro, o jogar-se na cama. Meus prazeres vãos na beira de um rio com sensuais seixos em espumas leves como o toque de bocas que se beijam pela primeira vez. As pedras macias jogadas na face que ri e que sangra. O sono dentro do sonho que constrói os seixos e os sexos afins e as idéias perenes. Durmo e meu dia jogado ainda displiscentemente em algum canto da sala.
(...)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O GROSSO RANÇO DO MEU DESEJO

p/ Alex Anteu



tristezas. desilusão intermitente. cegueira. melancolia.

gozo no grotesco. olhar-se no espelho e espantar-se consigo mesmo.

minha natureza real, ao avesso.

minhas inúmeras paixões quase indigestas
atravessando os bares sem endereço.

as mulheres, adereços únicos,
peças para se apreciar com olhos, bocas, dedos.

por favor, me ensine a amá-las

porque de usá-las eu já conheço.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

ora, bulhufas

carta p/ j. (revisitada)

o eu-lírico tem um tu-lírico e o tu lírico é necessariamente infinitamente mais belo e ainda mais Perfeito que o tu real.
O eu-lírico adora ser eu-lírico pois assim sendo é onipotente e disfarça todas as fraquezas do eu real.

(...)

Quero-te querida
Querida, te quero
Quero, quero
Quero-quero.

Passarinhos.

(...)
Mesmo que fostes embora eu permaneceria a cantar os teus ombros em movimento, a tua alma a florescer lentamente dentro de mim, a tua presença consumindo o meu fogo e abrasando o meu frio. Mesmo que fostes somente a sombra de uma lembrança, ainda escreveria sobre a cor serena de teus olhos e a lucidez do meu amor desvairado por ti.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Sem Título ou Brazilha

Eu e a ilha que me faz o derredor
A dor da solidão da ilha em mim
O mar remetendo-me às mesmas lembranças, terremotos,
Aos mesmos ruídos das ondas
Que vão e que vem
E que hão
E que não
E que vem e que vão.


29-04-08 e velas vermelhas

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A ESFINGE

Decidi então descrever toda a dor o meu amor descarnado, os ossos que se separam do músculo que sangra, a incisão profunda no significante coração cor-de rosa. Não me queres e por não me quereres eu peço sufocada: não existas então, não sejas carne e nem psiquê, não sejas olhar doce e nem boca cega. Se assim não fores, minha eterna, permite-me esfaquear-te o peito com metáforas, rasgar-te do chackra cardíaco até a boceta encardida de sangue, permite-me ser ódio também nesse único de amar sem freios e sem rodeios e com raios a clamar por tempestade, amar com o sentimento singular de existir no sexo que cospe a essência de se estar vivo. Permite-me e vai embora. Que eu tenha a coragem de ir-me sem deixar de rasgar-me também de alto a baixo, com ou sem súplicas.
Onde estive?
Julga-me louca e te julgarei esfinge
que não tem idéia do próprio mistério.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

MEIRELES, Cecília

Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Por não esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...

Cântico, VII

quinta-feira, 10 de abril de 2008

DRUMMOND de andrade, carlos

LIBERDADE

Sonho de fim-de-semana
Sem analista
Voar baixar planar
por conta própria
águias interpretadas a teu bel-prazer
intérpretes elas mesmas
tudo se mira na lagoa
do mundo explicado por si

domingo, 6 de abril de 2008

O Azul do Destino

Voa pelas mãos
As escolhas pelos dedos

Afinal, o destino
é um cão.

Um ladrão, avião
Pelo céu.

Não há placas nem estradas
Lá no céu.

Só há nuvens e azul
lá no céu.


Ainda faço músicas.

sábado, 5 de abril de 2008

FAZES COMO AQUELAS

Fases como aquelas, como agulha quente na órbita do olho. Um tropeço hoje, um acidente feio amanhã. Sonhos que se rasgam como notas de cem, sonhos tristemente azuis como notas de cem que se rasgam. Sensações como facas que trespassam os pulmões e as costelas, mãos que manipulam facas contra corações pueris.
O cuspe vermelho e enferrujado. A pupila dilatada e espantada. Os inimigos do dia-a-dia, os mesmo inimigos que nos dão as mãos e que nos conduzem à armadilha prometida como redenção, as mesmas mãos que escondem a traição dos olhos que, um fadado dia, se cruzaram.
O tapa quente no rosto. O orgulho em pedaços e acenando de longe a dignidade agonizante do eu.
Enfim. Todo mundo sabe ser cruel.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

a fissura e a tensão

Eu sou movida por desejo,
pulsão de vida e de morte.
A fantasia, o meu norte.
O conflito,
o meu suporte.

Eu sou a fissura
e a tensão
E as idéias vagas que nascem ao sabor
de ventos desconhecidos.

Eu sou a ânsia de ser
A mão que se dá à outra.
O contato e o mistério jazente.
A paz que já se fez pouca
E clama por transformação.

Eu sou plena de morte e de vida.
Eu,
a fissura e a tensão.

quarta-feira, 26 de março de 2008

INFÂNCIA INTERIOR

A criança e a bola
Fora da escola
Na rua das memórias
Dentro do brinquedo
Dentro do Adulto
A criança evoca
Vontade de não crescer

O doce e a boca
O colorido
Os gritos
O carro que voa
De encontro
Ao avião de plástico
Fantasia circundante

O adulto e a lembrança
A escola da vida
No tráfego das ruas
Dentro do baú o brinquedo
Dentro da Criança
O adulto evoca
Vontade de retroceder

E eu recordação
Rendição serena
Ao peso dos anos
Sou.



Teresa Minimalista Trotando Mundus

domingo, 23 de março de 2008

not again

...


o amor é um jogo de dados
dados os amantes
hei-los à sorte lançados

(em algum lugar de 2007)

terça-feira, 18 de março de 2008

poeminha p/ mama

te amo
desde o nunca
e para sempre

domingo, 16 de março de 2008

para Ela

Quando estou contigo meu coração se acalma e eu quase me esqueço de como o mundo é cruel por não nos deixar ser amor pelas 24 horas dos dias todos. Gosto de estar contigo pois sinto com tua presença o paulatino desvendar do meu mistério, pois gosto de te ver sorrindo, gosto dos teus gestos leves e tuas expressões duras, gosto de observar-te a existir. É bom estar contigo e olhar-te em profundo e dentro dos teus olhos ver a fortaleza do teu ser, a tua solidão sem freios, a mesma solidão que vibra em mim e em todos nós que somos e falamos e sentimos e amamos. Quero te dar o céu em mínimas gotículas de êxtase puro, te dar toda a minha vida embrulhada em um envelope sem perfume. Quero ser contigo sabendo da ruína de tudo, estar contigo sem ignorar a infalível natureza do tempo que tudo cria e tudo consome. Quero ter-te na agonia de uma vida inteira. Quero, quero, quero, e só quero você em tudo que quero. Sei disso e não quero mais saber de nada.
(...)
Você conseguiu me tomar por inteiro.
Um dia eu quis aprender a viver. Acho que consegui ou estou conseguindo, e isso acontece por causa da sua presença.
Só sei viver com você.
(...)
Minha vida devia acabar agora.
Pois desse modo eu saberia que morrer é aprender a amar.
(...)
Teresa continua trotando mundus

segunda-feira, 10 de março de 2008

POEMA PARA ALÉM DOS OLHOS MEL

Tens a beleza clássica
das luas em marfim.
A placidez das estátuas
que, gregas, dançam pra mim.

És meu amor sem sexo
que me açoita seco pungentemente.
Pétala de dons sinceros
que cai severa sobre o chão, fremente,
a desvelar a solidão de eras
que, jazente em minhas trevas
produz a semente eterna
nas próprias pétalas das moléculas.

Teresa Trotando Mundus

sábado, 8 de março de 2008

A VOZ

Uma canção cantava-se a si mesma,
na rua sem foliões. Vinha no rádio
seu carnaval abstrato, flor de vento,
Era provocação e nostalgia.

Tudo que já brincou, brincava, trêmulo,
no vazio da tarde. E outros brinquedos,
futuros, se brincavam, lecionando
Uma lição de festa sem motivo,

à terra imotivada. E o longo esforço,
pesquisa de sinal, busca entre sombras,
marinhagem na rota do divino,

cede lugar ao que, na voz errante
procura introduzir em nossa vida
certa canção cantada por si mesma.



Carlos Drummond de Andrade

sábado, 1 de março de 2008

carta p/ mininu

"Hoje veio uma senhora de 70 anos anos na loja onde trabalho. Conversadeira e solitária. Disse-me que quase se casou 3 vezes mas que o destino determinou que ficasse só. Contou-me histórias de noivos que morreram em desastres de avião ou que traíram e foram dispensados então. Contou-me que amou um motorista de ônibus e que seu vizinho dentista estava lhe sendo inconveniente e tentando conquistá-la. Disse que não queria mais ninguém mas que embora fosse velha também gostava do "negócio" e que sua vizinha lésbica fazia muito barulho com a namorada pelas noites afora incomodando o seu sono de senhora de 70 anos. Perguntou-me se eu era casada e eu disse que não, no que então me retornou dizendo que eu não ficasse só, pois viver sozinha era muito triste. Insistiu em dizer que o destino era inquebrantável e que o que tivesse de ser, seria. Solidarizei-me com ela.
Penso na solidão. 'Viver sozinha é muito triste'. Mas morrer deixando alguém talvez seja ainda muito mais."

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

baseado em diálogos reais

No meio homossexual só o fato de você "ser" homossexual já é atrativo.

Justamente pois os "homossexuais" são minoria.


(...) 'Por isso que rola promiscuidade'


"E o fato de "ser" é um dos fatores que levam à promiscuidade no meio. `Uma vez ou outra voce fica com uma pessoa nada a ver pelo simples fato de atração 'urgente' "

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

relembrando os ensaios na casa do guitarrista

sempre a mesma coisa

"na verdade continuo sob a mesma condição:
distraindo a verdade e enganando o coração..."
PATO FU
saudades

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

NOSSA SENHORA DAS ESTRADAS

Quero conhecer Petrolina. Quero ver o asfalto de Petrolina
E ouvir o falado do povo de Petrolina
E eu não tenho nem idéia de qual direção tomar
Para chegar em Petrolina, amém.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

essa eu não terminei

hoje o dia vai se construir pra mim
e se a chuva cai não vou me amedrontar
pois no lugar de que vim não existia luz
reinava a escuridão em unidade negra

luz que se fez então
luz
dor da respiração

se quer saber o que me sussurrou
o céu no dia em que eu nasci,
me disse para procurar quem sou
o céu no dia em que eu nasci.


músicas escassas

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

a dor do desprezo

desembocando em ódio. é a dialética.
amor. desprezo. ódio.
tese. antítese. síntese.

"Se eu pudesse fazer o mesmo com Marina, afogá-la devagar, trazendo-a para a superfície quando ela estivesse perdendo o fôlego, prolongar o suplício um dia inteiro..."


Graciliano Ramos, Angústia.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

to my beloved marijuana

"Love you so much, it made me sick, ah-ha
Come on over and, do the twist, ah-ha
Beat me outta me, beat it, beat it ..."


NIRVANA - aneurysm

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

p x pensamento

- esse pé-de-manga parece... triste...
- é você é que tá. e tem mais: a mangueira é ainda mais bonita do que você supunha, então relaxa e goza.

sábado, 26 de janeiro de 2008

poema para a

como fantasia desvelada
eis o realismo de antero de quental

SONHO

Sonhei - nem sempre o sonho é cousa vã -
Que um vento me levava arrebatado,
Através d'esse espaço constelado
Onde uma aurora eterna ri louçã...

As estrelas, que guardam a manhã,
Ao verem-me passar triste e calado,
Olhavam-me e diziam com cuidado:
Onde está, pobre amigo, a nossa irmã?

Mas eu baixava os olhos, receoso
Que traíssem as grandes mágoas, minhas,
E passava furtivo e silencioso,

Nem ousava contar-lhes, às estrelas,
Contar às tuas puras irmãzinhas
Quanto és falsa, meu bem, e indigna d'elas!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

que os anjos sonhem

Em meio a esses dias atônitos
Enluarados em dor
Recorto teu corpo em fotografias
Tua a barba espetando o nosso encontro suave
Tuas pernas que acenam em caminhos
Aos nossos sonhos, os nossos filhos.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

satisfeitos?

vivendo e ressignificando vivências
continuemos

memoria de mis putas tristes por R$ 26,00 na siciliano
manu chao e b negão por R$ 20,00 no arena
vaca atolada por R$ 2,00 no venâncio 2000
beijo na boca por beijo na boca lá em casa

a vida é uma imensa mesa de jantar com iguarias raras e pratos comuns
cuidado com a constipação

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O NASCIMENTO

CARTA P/ IVAN

Meus olhos se abrem e estão vivos. Corro o recinto com o olhar. O mundo é grande e cheio de coisas novas. Aventuro-me.
Existir é perceber as vestes brancas. É sentir frio. É degustar o leite e engolir o calor. Estou viva e sei. De que mais preciso? Respiro o ar.
Encontro a dor e finalmente reencontro o amor. A gradeço aos céus que não têm nome. Posso falar e deixar escrito. Descubro ainda que posso gritar com os olhos e grito: FELICIDADE e saber sentir a infinitude dentro da finitude.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

carta p/ Reich

...... (...)
Ah, o corpo dela não me sai da mente, ela sobre mim e nossos ritmos solidários, nosso uso solidário de mãos, bocas e peles sobre a cama....(...)


(...)


Ainda não consegui desvendar os mistérios delas. Ainda bem que não. Exploro o meu desejo e sofro sozinha com ele. Sofro e gozo sozinha com ele. Já não posso mais evitá-lo. Meu corpo grita de alegria quando meu afã literalmente se esbarra com outro afã parecido. Choque deliqüescente de vontades, encontro violento de sexos e palavras. Como fugir de algo tão imenso? Por que fugir?

Amigo meu, quero acreditar que um dia hei de aprender a entendê-las e a saber lidar com elas. Mas ainda é muito difícil. Eu me sufoco quando estou com o objeto do meu desejo. A humanidade delas avantaja-se diante de mim e me cerca, eu emudeço e não encontro palavras. Apenas as enxergo e as devoro com os olhos, tentando encontrar seus corações.
Nunca os encontrei. Eis minha maior falta. Eis meu maior mistério. Quem são elas? Quem sou eu? O que é o amor?"

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

às moscas

bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz........................

zzzzzzzz

zz

sábado, 10 de novembro de 2007

prosa em verso

"É preciso escrever para acalmar a angústia que se aglutina poderosa no pulsar do meu sangue. É preciso escrever para tentar descrever e é preciso descrever quando se escreve, pois tudo é assim: um ir e vir sem fim. E, que paradoxo, é justamente a finitude nesse tudo sem fim que me alveja dardos mergulhados na sempre presente incessante angústia. Ah, a falta! Falta-me o complemento! Eu sem! Dói-me viver dói-me. A natureza perversa arrancou-me do ventre e marcou-me eternamente com a solidão dilacerante do umbigo. Eu sem: a certeza da unicidade. A introvertida solidez convexa do subjetivo. Que eu fosse um ao meio. Que eu fosse! Que eu fosse mera linguagem. Que eu fosse!
Segredo revelado: Deus disse na palavra que a palavra é deus."
30-03-07

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

diário de um trabalhadora após 20 anos de trabalho

após esse tempo constata-se que:
ou se é um otário ou se é um filha-da-puta.

eu sou uma otária

by c. orm, 01-11-07

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

diário de uma trabalhadora após 4 meses de trabalho

durante esses últimos três meses e meio eu estive trabalhando numa loja de shopping. de toda essa experiência posso tirar as seguintes conclusões:

1 - nunca confie em clientes. a pessoa pode ser a mais agradável possível, estar mais bem vestida. é bom sempre abrir bem os olhos, qualquer um é passível de ser um mão-leve daqueles. fui roubada outro dia porque confiei demais numa loirinha simpática com cara de intelectual. a lalau me levou uma espada ornamental, e agora vou ter que desembolsar 120 reais para pagar o que ela levou.

2 - nunca confie em vendedor algum. absolutamente, nenhum nenhum. sem comentários.

(...)

P.S.:
3 - nunca jamais confie em seu patrão.

conclusão:
nunca confie em ninguém, porra!

sábado, 13 de outubro de 2007

DUAS A DOIS HORAS

Eu não quero me apaixonar,
Eu sofro muito quando me apaixono.
Eu quero só viver momentos,
Instantes a dois sós.
Acordar com a carne no colchão.
Ouvir silêncios amargos e doces.
Pedir e ser pedida.
Desfrutar sabores em expressões sérias;
Cansadas, sorridentes, curiosas.

Quero o meu dueto cantando e tocando
A uma só voz melodias diferentes.

22-06-07

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

de novo

já q tudo é um ir e vir sem fim
de novo

passou a trovoada, o raio, o aguaceiro e tudo foi se acalmando depois
de novo

al.

EPIGRAMA
A serviço da Vida fui,
a serviço da Vida vim;
só meu sofrimento me instrui,
quando me recordo de mim.
(Mas toda mága se dilui:
permanece a Vida sem fim.

Cecília Meireles

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

momentos únicos

tou zigzagueando feito borboleta! parafraseando cecília ilustro um pouco do momento atual.

EPIGRAMA
A serviço da Vida fui,
a serviço da Vida vim;
só meu sofrimento me instrui,
quando me recordo de mim.
(Mas toda mága se dilui:
permanece a Vida sem fim.)

Cecília Meireles

sábado, 29 de setembro de 2007

carta p/ dd

"(...) as coisas não são simples de se viver. Nós tropeçamos, sangramos. Eu às vezes viro uma dramática quando sangro. Gemo, dou crise, derramo oceanos inteiros pelos olhos. Não chega a ser assim, lá muito delicioso, sentir o gosto salgado das lágrimas. Mas não tenho opção. Render-me? Jamais. Mesmo com as vísceras saltando para fora, o enferrujado sangue na garganta afogando a alma, mesmo assim permanecerei empunhando minha espada ou meu escudo ou aquilo que me restar.

É assim que quero guerrear na vida.

Quero entender o medo."

domingo, 23 de setembro de 2007

divagações epistolares

"... obrigada por seus olhos que fazem ouvidos escutarem o som das linhas. A palavra me liberta. Já ouviu falar em Deus? Deus é uma idéia, amigo meu, uma idéia infinitamente acima de qualquer ideal. A palavra me liberta.
Precisa dizer mais algo? Ouça sua palavra interior. A minha ecoa nessas páginas.

(...)

NA SARA NOSSA TERRA:

Quando de repente eu me perguntei: é uma igreja ou uma casa de espetáculos? Acho que, além de Deus, vi o diabo lá dentro. E doeu.

Deus não devia agregar só o bem?

Enfim, meu mais precioso templo é meu corpo. Hei de ter Deus em mim enquanto me restarem palavras."

Ah! Quando então eu conheci Oxumaré, o orixá dos contrários, a serpente que se devora, o arco-íris em luz... Então eu redesenhei o yin-yang. Então eu não precisei odiar o mal.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

carta p/ L.

Viver é em todas as letras uma arte.
Uma veracidade cortante.
Uma ilusão sorvida por entre os lábios.
Uma vertigem sem eira nem beira.
Um erro solenemente proposital.
Um rabisco em folha de papel.


14-08-07

terça-feira, 18 de setembro de 2007

carta p/ mein reich

"Tem gente que pensa: vou ganhar dinheiro vendendo pipoca. Outros pensam: vou ganhar dinheiro fazendo putaria. E assim o mundo vai girando.
Mas aí, amigo. Difícil deve é ser ganhar dinheiro fazendo amor... Nisso eu nunca ouvi falar. Nem quero ouvir dizer. Amor bom e de qualidade é aquele que vem de graça."

terça-feira, 11 de setembro de 2007

templo soul e apc!

se quando eu comecei a escutar rap já tinha gente que me enchia o saco, imagina agora, q tou escutando rap evangélico!

mano! é mta treta!


"Então vê se vigia
e se hoje for teu Último Dia?
E de que valeu tanta correria,
nada não valeu de nada.
Pra que tanto dinheiro,
não adianta por no bolso do terno.
Eles não aceitam isso lá no inferno,
nada isso não vale nada."

Apocalipse 16

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

AMARGO

essa música foi feita há cerca de 6 meses atrás. foi uma das últimas que compus. depois dela, poucas vieram.

quando o amor se desiludiu acabou a melodia. não tenho mais beleza para cantar.


Malgrado meu...
A Lua se apagou!
O Sol escureceu.
O meu amor morreu antes mesmo de nascer.
O meu amor morreu.

E eu sem ninguém...
O céu enegresceu
A solidão é quem está pra me fazer chorar.
O meu amor morreu sem nem querer me abraçar.

Ah!... O mar tão amargo...
Não tenho do lado a minha querida ilusão.
As coisas da vida dizem não.
À solidão eu dou as mãos
E sigo na vida sem...

Saio então da morada de mentiras.
Eu fico é com o não.
Se quebra a fantasia, enfim.

Ah!... Amar tão amargo...
Não tenho do lado a minha querida ilusão.
As coisas da vida dizem não.
À solidão eu dou as mãos
E sigo na vida sem...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

REVISITANDO PARIS

a J.K.P.

Hoje minha alma sonhava que visitava Paris.
No crepúsculo da mágoa dos homens
Minha alma tocava com lágrimas as cordas de um sonho em Paris.

A noite viria e ensimesmada acordava
A mulher e a guitarra que visitaram Paris.
Embaralhando tempos e condensando espaços
Minha alma criada descobria sem ruas
Uma Paris desnudada
Com olhos saudosos daquilo que nunca haveria sido.

25-05-07 ao acordar

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

quando encontrei milkman

"Olhei para cima e vi as núvens como se fossem um algodão acessível à mão. Estaria eu apaixonada? Como saber de algo com certeza verdadeiramente? Não sabia. Estiquei o braço, toquei as núvens e senti a vida dentro da semente do algodão. Conversei com as árvores. Elas me falaram do amor. Eu achei bonito o modo como elas falavam dele."

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

carta p/ mininu

O MILAGRE DA RESSURREIÇÃO

Oh, amigo meu! quantas coisas pelas quais se passar nessa vida! Tantos amores! Tantas fantasias transitórias! Cada vez mais percebo a claridade do dia e as vibrações dos átomos. Os campos mais verdes são os pelos quais passo! Degusto a cor do bem e do mal. Os abismos mais escuros são nos quais eu me jogo. O medo vem e vai. Os ponteiros dos relógios param, mas a cadência dos segundos permanece infinita.
Instantâneo. Eu soube, simplesmente.

domingo, 12 de agosto de 2007

masturbação ou não?

"Não há relação sexual, não há harmonia perfeita possível entre um homem e uma mulher, mas uma discordância na qual pode se alojar a aventura pessoal."


Gerárd Haddad, O DIA EM QUE LACAN ME ADOTOU

sábado, 4 de agosto de 2007

homens e mulheres

carta p/ I.

"... pensando no quanto eu amo os homens. Eles são muito interessantes. O mecanismo de seus corpos me fascina. Mas aí penso nas mulheres e no mecanismo dos corpos delas, o mecanismo do meu próprio corpo, esse meu corpo humano que tantas vezes me surpreende... Como lidar com lágrimas que descem dos olhos sem eu nem pensar direito, glândula que lacrimeja dores subterrâneas molhando meu rosto?
Como lidar com esse meu coração que pulsa?"

terça-feira, 31 de julho de 2007

mais uma vez, brasília

a minha prima falou q essa parece música de propaganda política.
pode até ser. mas eu adoro escutá-la enquanto passeio de ônibus pelo eixo monumental!

BRASÍLIA - Sérgio Sampaio

Quase que ando sozinho por todos os bares
Freqüento lugares, namoro suas filhas, Brasília
E posso dizer que começo a voar
Sossegado em seu avião
E mesmo com o ar desse jeito tão seco
Consigo cantar no seu chão

Quase que me sinto em casa em meio a suas asas
E "dáblius" e "eles" e eixos e ilhas, Brasília
Cidade que um dia eu falei que era fria
Sem alma, nem era Brasil
Que não se tomava café numa esquina
Num papo com quem nunca viu

Sei que preciso aprender
Quero viver pra saber
E conhecer Brasília

Ver o que há, Paranoá
Lago de sol, noite, lua
O olho do amor desconhece a armadilha
Assim vim ver Brasília

Quase que me sinto bem distraído em suas quadras
Tão bem arrumadas com suas quadrilhas, Brasília
Concreto plantado no asfalto do alto
O céu do planalto onde estou
Aqui na cidade dos planos
Conheço um cigano que não se enganou...

.....

ver o q há!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

carta para p.e.

"Amigos são para todas as horas. Até para as horas em que não nos lembramos deles"

quarta-feira, 25 de julho de 2007

diário de bordo: vendedora das 14 às 22hs

nove e quarenta da noite, ainda no trabalho, incenso darshan queimando, o ambiente embalado por canções tibetanas. ao meu redor ciganos, xamãs, fadas, orixás, bruxas, budas, livros do jung e do yves-leloup.

e eu choro porque estou viva.
e meu coração se aperta carregando tudo o que viveu e esperando tudo o que virá.
sinto falta do que nunca tive. mais uma vez.

sinto saudades do meu passado. mais uma vez.

resta a espera. mais uma vez.

se deus existe, ele é o ser mais solitário já concebido.

terça-feira, 24 de julho de 2007

manuel bandeira

Trova

Atirei um limão doce
Na janela de meu bem:
Quando as mulheres não amam,
Que sono as mulheres têm!

segunda-feira, 23 de julho de 2007

para os desamparados

o pequeno príncipe também morreu.

essência do dia: ALECRIM
anti-depressivo, boa sorte, proteção. purifica o astral do corpo e aguça a memória.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

saudades de ...

"Eu e meu violão temos uma relação muito mais íntima. Quando eu toco eu não escuto nada. Surda sou e acima de tudo eu em minha toca. Há verdade na solenidade animalesca do meu canto. Escancaro-me, abro a boca, libero o grito gutural do desespero único: ser humana e viver a criação."

SOU

EM
PE
DA
ÇOS

sábado, 14 de julho de 2007

SQS OU SOS?

quem conhece brasília deve conhecer Nicolas Behr, o poeta de braxília

imagine
brasília
não-capital
não-poder
não-brasília

assim é
braxília

L 2 é pouco
W 3 é demais

quando estou
muito triste,
pego o
grande circular
e vou passear
de mãos dadas
com o banco.

sábado, 7 de julho de 2007

carta p/ B.

"As coisas não estão tão simples. Minha fé em mim mesma às vezes é insignificante. E aí eu caio. Bato e apanho. Entristeço-me e caio na gargalhada com um cigarro entre os dedos. Adentro aquele lugar onde tudo não importa. Desço no escorregador dissolvendo-me no nada. Plenitude triste. Rendição e não redenção. Tipo assim, sabe?
Ah, vou te contar uma coisa: é muito difícil para eu me entender com Deus.
Eu sou uma pecadora"

sexta-feira, 29 de junho de 2007

do verde ao amarelo espaço afora e adentro

essa eu copio e colo dançando!

Em nome de Deus
(Sérgio Sampaio)

Eu nunca pensei que pudesse querer
Alguma mulher como quero você
Se o mago soubesse
Juntasse o meu nome em S
Ao seu nome em C
Nas cartas de todo tarot que houver
Em todo o I-Ching eu podia não crer
Mas tudo é tão verde em seus olhos
Não dá pra não ver
Mas tudo é tão verde em seus olhos

Você que se esconda, que eu vou procurar
Você nem se iluda, que eu vou lhe encontrar
Você pode ir e sair e sumir por aí
Que não vai se ocultar
Eu vejo seu rastro onde ninguém mais vê
Eu pego carona até na Challenger
E vou nos anéis de Saturno buscar por você
E vou nos anéis de Saturno

Sem ser João Batista, você batizou
Meu corpo na crista das ondas do mar
E aí me abriu feito ostra
E colheu minha pérola pra Yemanjá
Agora que estou à mercê de sua luz
Em nome de Deus, me carregue
Me pregue em sua cruz
Em nome de Deus, me carregue

quarta-feira, 27 de junho de 2007

tarde de inverno em junho

o lá descendo menor bemol.
a tristeza minha de cada dia
em batuques na louça lavada da pia.
a alegria triste deslumbrada.

que posso fazer?

eu sou a rima crua
decifrando sua senhoria,
a melodia,
em lá descendo bemol menor.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Augusto dos Anjos

O LAMENTO DAS COISAS

Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,
O choro da Energia abandonada!

É a dor da Força desaproveitada
— O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
jazem ainda na estática do Nada!

É o soluço da forma ainda imprecisa...
Da transcendência que se não realiza...
Da luz que não chegou a ser lampejo...

E é em suma, o subconsciente ai formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!



(...)
ah! vertigem! onde estão meu olhos crianças!?

terça-feira, 19 de junho de 2007

carta para mininu

Vida em Amor Maior

O som relampejando
Silencioso em meus ouvidos.
Lá vem ela...

A vida procura o calor.
O momento no calor dos corpos.
A vida em seu início.
O momento no encaixe dos corpos.

O mistério.

domingo, 17 de junho de 2007

à espera

carta para C.

"Mesmo na loucura da distância imensa aqui estou eu te querendo com o sorriso aberto. Quero mais é viver esse querer da maneira que ele se apresentar e aqui ele se apresenta pelas linhas. Abraço-te e acaricio-te com palavras, roubo o teu olhar e toco os teus dedos com o papel. Com minhas frases arquitetadas coloco-te dentro de minha casa e te faço minha mulher primeira e te dou-me mulher como sou e olho-te através do ar perfumado ao redor. Os meus significantes aleatórios constroem toda a situação em que por fim nos tocamos por completo quase sem perceber, suavidade pura, carinho extenuante, sede saciada. Através das palavras, benditas palavras, tenho você dentro e ao redor de mim."

sábado, 9 de junho de 2007

Narciso de traços finos e dentes podres

Há momentos em que nos sentimos ótimos e viver é como uma alegria sem tréguas.
Há momentos em que nos despedaçamos em lágrimas e viver é como uma maldição.

Eu me regozijo em ambos os momentos. Nessa minha existência fenomênica única, experiencio minha humanidade em toda sua potência e toda sua decadência. A minha melhor opção é tomar-me nos meus próprios braços. Acabo tendo que me bastar diante do espelho. Se eu reescrevesse Narciso, ele saberia nadar e encontraria no fundo do lago um anel dourado com seu próprio nome escrito.


As pessoas seriam melhores se soubessem e sentissem que Deus é nelas.
(essa última frase vai para A Peste, em especial)

domingo, 3 de junho de 2007

saudades no divã

A tristeza toma forma... Serenidades.
Espero o inominável... Sem ansiedades.

Um mágico tira as lágrimas da cartola.

Na tela de um computador o confessionário.




construo-me desconstruindo

sábado, 21 de abril de 2007

...

"Estou desacreditando completamente no amor e tentando me acostumar com o amargo gosto da derrota, derrota esta configurada na quebra de minhas fervorosas crenças na sublimidade e transcendência do amor da carne. Já não tenho mais 17 anos. Já senti na pele a fúria animalesca do desejo puro e gritante que nasce no contato dos corpos. Não preciso mais de versos de amor. Nem sequer acredito mais verdadeiramente neles, apenas os leio e escrevo para embalsamar minha alma com ungüentos feitos de palavras banhadas em inocência. O que é solene é a arte, não o amor. O amor é natural e violento como filho nascendo. O amor é sexo, convivência e oportunidade. E não quero mais falar disso."


TER UM CIGARRO NOS DEDOS
SÓ PRA MELHOR SUPORTAR A SOLIDÃO?
TER UM SER ENTRE OS LÁBIOS
SÓ PRA MELHOR SUPORTAR A SOLIDÃO?

domingo, 15 de abril de 2007

odeio muito tudo isso

uma única coisa



viver é padecer.

e só




sozinha

quinta-feira, 12 de abril de 2007

fissura nas vísceras

"O TEU AMOR É UMA MENTIRA
QUE A MINHA VAIDADE QUER."

Cazuza
O nosso amor a gente inveeeentaaa
Tá. Enquanto isso em frente ao comércio fechado há papelões onde homens dormem. Do lado dos que dormem há cachimbos e homens se drogam. Do lado dos que se drogam há uma criança sem calças.
A fumaça que perpassa os caminhos que se cruzam sem querer na madrugada desperta.
As mortes instantâneas a cada segundo.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

em algum lugar de março

PRECISO DO CORPO PARA ABRANDAR OS PULMÕES
DO CORPO PARA ESQUENTAR PRECISO
PRECISO DOS RISCOS
PROCURO O CORPO PARA ME ESBALDAR ENTRE OS VÃOS
PROCURO POR LIMITES EM CURVAS
PROCURANDO AS PERNAS


(...)

(enquanto isso, o som tocando só de zueira no c.p. amor e paz e dor e tréguas. fim do desconhecimento.)

quinta-feira, 5 de abril de 2007

amando

fiz mais uma música de amor.
se o poeta é um fingidor, o cancionista é um ator a caráter.

é assim: você canta para que algum amor imaginário ouça. você interpreta sentimentos que só existem quando se canta.

eu finalmente decidi dar o nome de mulher pra uma canção minha. em tempo: tinha que ser aquele negócio cheio de amor.
aquele negócio de amante amorosa amável amadora.

muito amadorismo mesmo. quando se trata da teresa aqui, sobra amadorismo. vivo cheia de amor pra dar sem nunca ter amado ninguém realmente. porque nunca houve reciprocidade verdadeira naquilo que já senti.

enquanto isso, continuo acreditando que de alguma forma sigo amando, mesmo na falta do desejo do outro.

olha que coisa mais meiga:

AMANDA

Poxa! Esperei tanto tempo para isso...
Quando tenho já não é mais aquilo.
Nada de fantástico e de grandioso.
Só simples, ordinário:

Olha pra mim, meu bem!

Pena! Pois no fundo eu sei que é só conversa.
Para a prática não existem palavras.
Prum instante não bastam só milênios.
Vai, esqueça os quilômetros.

Vem cá me ver, meu bem!

(...)

amanda!
amando, porra.
qto mais amabilidade, mais perdida eu fico.

trem besta, sô!
tinha q ser só teatro?

quarta-feira, 28 de março de 2007

a música do pato

tempo tempo mano velho falta um tanto ainda eu sei pra você correr macio

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

olhos em folhas verdes

é assim: insisto em usar roupas velhas, tão apegada fico às histórias que elas contam.

minha maior dor é ser eu mesma. minha outra dor é ter conhecido pessoas. minha terceira dor é saber que sou humana como elas.

"Mas como fazer se não te enterneces com meus defeitos, enquanto eu amei os teus. Minha candidez foi por ti pisada. Não me amaste, disto só eu sei. Estive só. Só de ti. Escrevo para ninguém e está-se fazendo um improviso que não existe. Descolei de mim."

"Há uma canção de amor deles que diz também monotonamente o lamento que faço meu: por que te amo se não me respondes? envio mensageiros em vão. Quando te cumprimento ocultas a face; por que te amo se nem ao menos me notas?"

"Estou cheia de acácias balançando amarelas, e eu que mal e mal comecei a minha jornada, começo-a com um senso de tragédia, adivinhando para que oceano perdido vão os meus passos de vida. E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca. E tudo isso ganhei ao deixar de te amar."

ÁGUA VIVA, Clarice Lispector.
o livro que conta a história de minha vida tem uma narrativa que escorre como água.
No entanto...
a flor morreu seca, pedindo em silêncio a umidez entre os lábios. a umidez que não veio. a umidez que não existe.

fim.

domingo, 24 de dezembro de 2006

PROCURA-SE

procura-se gertrud.

procura-se a flor do meu coração.

qqer informação sobre o paradeiro da(s) mesma(s), e-mail para: trotamundus@yahoo.com.br


recompensa:
uma noite de prazer na toca da treta.
(maiores detalhes por e-mail)

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

a água que escorre

o livro é inteiro digno de citação.
pena ficar aqui apenas com o primeiro parágrafo.


"É com uma alegria tão profunda. É uma tal aleluia. Aleluia, grito eu, aleluia que se funde com o mais escuro uivo humano da dor de separação mas é grito de felicidade diabólica. Porque ninguém me prende mais. Continuo com capacidade de raciocínio - já estudei matemática que é a loucura do raciocínio - mas agora quero o plasma - quero me alimentar diretamente da placenta. Tenho um pouco de medo: medo ainda de me entregar pois o próximo instante é o desconhecido. O próximo instante é feito por mim? ou se faz sozinho? Fazemo-lo juntos com a respiração. E com uma desenvoltura de toureiro na arena."


LISPECTOR, Clarice. Água Viva.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

eu perseu

e assim vai.
por favor, leiam clarice.


"Perseu porém não a olhava mais, agora interessado em penetrar a escuridão através da vidraça. Nenhuma mulher receberia o calor de sua alma que ele um dia talvez desse a um amigo. Esquecera a mulher e espiava a noite pela vidraça - instável, silencioso no impermeável. Mas não era apenas uma força cega. Ser um homem guiava-o através do mistério"

LISPECTOR, Clarice. A cidade sitiada.

sábado, 11 de novembro de 2006

amooooor

foi quando eu conheci diogo.

e descobri com ele que o amor era curto e grosso.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

o vazio é pleno

então. ela fala do amor de maneira elevada.

"Então era isso o amor por pessoas, reconheceu ela. Também esse amor era claro e inexplicável. Mas bom - pão e vinho e bondade. Sim, sim, ela estava bastante perdida. Bem lhe parecera sempre que antes de mais nada era preciso se perder. Bem sabia que, tentando através da sala de visitas olhar as coisas que existem, não tivera coragem de ser guiada pelos objetos: caíra, sim, porém tivera medo e agarrara-se onde pudera. Se tivesse caído até o fim, saberia que fim de queda era estar sob o céu estrelado? e era ver que o mundo é redondo, e que o vazio é pleno, e que o milho crescendo é espírito."

LISPECTOR, Clarice. A cidade sitiada.


ainda perdida por entre os corredores da própria mente
como eu poderia me esquecer de olhar para o relógio no meu pulso direito?
ao ódio deu lugar o amor
e de repente só sobrara inveja
uma inveja má e invencível

e eu nunca mais amaria ninguém
como havia a amado

e nunca mais amaria ninguém

terça-feira, 24 de outubro de 2006

e o livro sendo escrito

- Tenho que parar de fumar.
- Eu também. Mas enquanto isso não acontece eu vou fumando.

E Marcelo acendeu mais um cigarro. E Lavínia sorriu em mutualidade e acendeu ainda mais um.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

o perder-se no espelho

Perco-me mais uma vez, cara mia
E perdendo-me penso em você me superando
Em tamanho
E conhecimentos diversos dos meus

E me desprezo ao pensar perder-me assim
Tão pequena e desesperada, quase vil descuidadamente
Nas mãos de sua imagem no espelho.

Nos sonhos de outro deus acreditado.



(p/ j.)

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

carta para mais um carneiro

(...)

mais uma vez o tic tac do relógio. A madrugada tocando seus instrumentos. A minha alma única e desconhecida. Minha carne certa, sólida como pedra. O fardo da consciência por sobre as costas de mármore. Caminho no ritmo do tempo, sempre tão intangível mas essencialmente dominante em todos os níveis de pensamento. O sentimento permeando tudo. A certeza do irrevogável destino de tudo: a finitude que necessita solenidade.

Sou eu e meu coração que pulsa pelo poder do universo. Nesse sentido, o amor se expande a todos os níveis também, colorindo vermelho minha forma de pensar. Como ainda mais linda ela seria se pudesse ser minha de corpo, alma e consciência. Seus lábios curvilíneos seriam ainda mais perfeitos e suas manias seriam mágicas. Ainda assim, da maneira que toda ela é, ainda assim sua presença é música para meus ouvidos. Ela única com suas próprias decisões.

E o amor que também acaba é o amor que dura como dízima periódica, o amor que continua pelas reticências afora.

A vida, tão finita. Solenimente a vida eterna e única.

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Emparelhado à Brasília verde e amarela

Depois de um tempo em Brasília
talvez você pudesse compreender que as melhores
lembranças estão em carros velhos.

Mas por certo você compreende
A benção de uma chuva;
E o quanto a mesma chuva pode ser um motivo
Para imprecações até mesmo amaldiçoadas,
A desgraça filha do cão
Nas barras molhadas das calças na repartição.

Você aprende que em Brasília
As ruas praticamente não têm nomes
E as esquinas são obras do imaginário.

Após um certo tempo você acredita decerto
Que o Gama é logo ali
E que o Novo Gama já é Goiás.

E você percebe que nessa Brasília código
Poucas letras e alguns números te levam a qualquer lugar
Do mundo.

E às vezes você se indigna
Porque o metrô não funciona em sábados, domingos e feriados.

E você institui em ato ordinário
Que o magnetismo da cidade
Concentra seu pólo positivo no verde das árvores
E seu polo negativo na região do Conic
Ato homologado nos seus diários oficiais.

Você começa então, após um determinado tempo,
A dar valor de cifras generosas
À propriedade do lar doce lar
Casa própria com escritura lavrada.

E, na capital dos poderes três,
Terciários sem carteira,
Ternos e gravatas,
Igrejas,
Faculdades
E salões de beleza
Você vê nas sátiras imaginárias
De cada esquina.

A cidade jaz vivendo solitária
Nos eus fantasmas de cada cargo comissionado.

A cidade única vivendo dura
Nos monumentos de concreto branco.

(Lembre-se sempre que não importa o quanto a coisa cresça, ela nunca será plenamente satisfatória.)

Então não se espanta você
Ao ver que o Eixo Monumental
Com suas seis pistas em cada mão
Não pode evitar os engarrafamentos
Dos arredores da rodoviária.

O Lago Paranoá,
Sagrado nos dias de Julho.


E então, depois de mais um tempo,
Certo ou incerto,
Você descobre que há tradição
Na Esplanada dos Ministérios
Na Pizza Dom Bosco,
Nos pontos de ônibus
E até mesmo nas cadeiras e copos do Beirute.

E em Brasília você pode também,
Quase como milagrosamente,
Achar alegria.
Como no foguete parquinho do Parque da Cidade
Ou como nos bancos daquele fusca
Que passeia humilde pela L2 Norte
Sentido
Futuro.

domingo, 24 de setembro de 2006

carta para u mininu novamente

Durmo. Minha cama, meu consolo irrefutável.
Choro. Minhas lágrimas, minhas muletas defeituosas.
Rio. Meus sorrisos, minhas máscaras belas.

A verdade corre no fundo do oceano. Lá onde a pressão nos mata. Lá onde ninguém consegue nadar. Lá onde os submarinos mentem. A verdade corre no fundo do oceano. A verdade nunca estática. A verdade única que sempre muda (de lugar).

Acho que é hora de dormir. Amanhã meus olhos abrem às 6. Amanhã meu corpo salta indignado da cama que acolhe. A cama que nos dá o sono que nos dá os sonhos que são nossas únicas verdades absolutas. Incrivelmente únicas e absolutas. Nossas.

A minha verdade é meu inconsciente à tona.

Amigo meu. Às vezes as palavras complicam demais.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

aprendendo a amar clarice

"E agora era muito tarde.

Quando inventara ouvir a notícia, a moça retrocedera até estar vestida com saias longas e alisar bandós na testa.

Mas agora no sonho pôde recuar até encontrar enfim: que era grega.

"Como a da revista", e ruborizou-se agitada. Sonhar ser grega era a única maneira de não se escandalizar, e de explicar seu segredo em forma de segredo; conhecer-se de outro modo seria o medo.

Ela era antes dos gregos pensarem ainda, tão perigoso seria pensar.

Grega numa cidade ainda não erguida, procurando designar cada coisa para que depois, através dos séculos, elas tivessem o sentido de seus nomes.

E sua vida erguia, com outras vidas pacientes, o que se perderia mais tarde na própria forma das coisas. Apontava com o dedo, a grega sem rosto. E seu destino como grega então era tão inconsciente quanto agora em S. Geraldo. O que restara de tão longe? o que restara da Grécia? a insistência: pois que ela ainda apontava."


LISPECTOR, Clarice. A Cidade Sitiada.

domingo, 17 de setembro de 2006

peixe grande

tá. a vida é um monte de histórias.

eu acho q sou a senhora sentada na casa velha contando os gatos e lamentando os momentos q não foram vividos.

eu acho q sou a menina correndo descalça pelas ruas gritando pelos amigos que estou livre louca pra fazer o gol.

eu acho q sou a mulher abraçada chorando as lágrimas da despedida olhando tristonha as fotos rasgadas ao meio.

eu acho q sou ....

(a árvore, o rádio, o vinho, o osso, a carta, o ônibus, a parede, o monstro, o cartão de aniversário).

sempre uma história para continuar. o meu fim eu não conto. não posso contar nunca.

triste como alguém q v o filho morrer.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

eu odeio ano eleitoral. como se não bastasse a desesperança completa perante os candidatos à disposição, ainda tenho q aturar horário político e planfletagem nas ruas. é só chegar na unb pela manhã q lá estão eles, dezenas deles, com seus panfletos eleitoreiros querendo me empurrar nomes e números.

já é comumente sabido: a democracia é um projeto falido. esse negócio de tratar os iguais de maneira igualitária e os diferentes de maneira diferenciada é uma destituição de realidade. ideologia mais falida do que o socialismo. sempre haverão ricos e pobres, e sempre haverá manipulação de informação, e sempre haverá injustiças. rico não vai pra cadeia, pobre passa fome. tem mutreta no congresso, tem crime na periferia.

como eu odeio brasília.

enquanto isso, continuamos com nossos confortos reais, nós, os privilegiados, a mínima porção desse país predominantemente pobre. continuamos indo ao cinemark e comendo no mcdonald's (pq sim, eu adoro, q posso fazer?). o mais triste é notar q não posso fazer nada: o brasil continua um dos países mais corruptos do mundo. e eu nunca vou ser deputada federal, pq eu não votaria nem em mim mesma. o poder corrompe fácil.

é como eu digo: é a vida, fazer o q? ontem eu dei 30 centavos pra uma mulher com um bebê na rodoviária. vou fazer o q? é o máximo q posso, e não é nada.

sábado, 9 de setembro de 2006

cancionista por vocação

têm vezes que eu me pego cantarolando inúmeras melodias sem conexão.
e no meio de tantos intervalos tonais, acabo entoando mais uma nova canção.

tenho tido tempo para cantar. isso é o q me é mais sagrado.

sabendo sempre q devemos concentrar as ditas "energias" nas direções q nos soam mais aprazíveis.

nova canção

RENASCER

Eu não tenho certeza do que há de vir.
Se é que há de vir.
E o que há de vir?
Se é que há de vir.

E não vou mais ficar chorando meus quebrantos solitários.
Eu quero é mais fazer meu pranto e meu canto solidários.

Eu chorei porque quis, era tudo pra mim.
Minha dor protegida em baú de marfim.
Eu chorei porque quis, era tudo pra mim.
Minha dor embrulhada em sublime cetim.
Eu chorei pra viver, não queria nascer.
Mas nasci.
Renasci.
Renasci.
Outra vez.
Renasci.

Não adianta nada tricotar os planos só em pensamento sem fazer valer.
Não adianta nada despedir os danos e continuar matando o que quer viver.

E o que quer viver está dentro de mim.
O que quer viver, tão dentro de mim.

E não vou mais ficar chorando meus amores impossíveis.
Eu quero é mais colher as flores que estiverem acessíveis.


****************************

O lance é que o cancionista, assim como o poeta, é um grande fingidor.
E eu ainda choro quebrantos, amores, e coisas mais.

ahn. um baseado ou um copo de cerveja. tanto faz.

terça-feira, 5 de setembro de 2006

tarde de agosto

Carrego em mim dores que não se soletram.
Dores duras sem parecência.
Cada momento é uma quebra.

Carrego em meu dorso mágoas que se distanciam do suportável
E choro junto ao pôr-do-sol musical.
Os carros zumbindo
acompanhando a melodia surda de tudo.
Meus fones de ouvido ilustrando o caminho
das formigas aqui embaixo.
A sinfonia lacrimejante.

Mais uma quebra.
Espero a próxima faixa do CD em escocês.

A gaita de fole e as saias xadrez.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

em homenagem ao finado amigo do camelo e ao camelo em si (e em homenagem aos olhos no espelho)

"Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. "Eu te odeio", disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?

(...)

A mulher então experimentou o camelo. O camelo em trapos, corcunda, mastigando a si próprio, entregue ao processo de conhecer a comida. Ela se sentiu fraca e cansada, há dois dias mal comia. Os grandes cílios empoeirados do camelo sobre os olhos que se tinham dedicado à paciência de um artesanato interno. A paciência, a paciência, só isso ela encontrava na primavera ao vento. Lágrimas encheram os olhos da mulher, lágrimas que não correram, presas dentro da paciência de sua carne herdada. Somente o cheiro de poeira do camelo vinha de encontro ao que ela viera: ao ódio seco, não a lágrimas."

LISPECTOR, Clarice. O Búfalo. In.: Laços de Família

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

viveeeeeer.

nova música quase pronta

uma gota de otimismo
pode alimentar enorme rio
de fora um sol que brilha
deu a luz a uma de suas filhas
a árvore que dança
traz nas folhas verde esperança
há um céu azul piscina
que mistura dor e alegria
mais uma sinfonia em um raiar de dia

viver pra que?
amigo eu vou dizer: eu vivo é pra viver

o joão-de-barro canta
e a joaninha segue a dança
o meu neto já faz birra
o meu filho ainda não nasceu
a menina de vestido
tinha os olhos verdes muito lindos
ah menina de vestido
que vermelha me olhou sorrindo
mais uma chuva vindo
mais um fruto caindo

q coisa.

sábado, 29 de julho de 2006

j.

enquanto fumava pensava todo o templo nela e em seu olhar pretensamente indiferente, a parcialidade que preenchia a sala dolorosa. o conhecimento triste do inevitável.
inevitável. inconsciente: a certeza da relação de brinquedo, a mentira que era verdade por não ser segredo.
enquanto fumava pensava apenas nela, mas não em todo o significado incerto que ela exalava em direção a seu subconsciente, e enquanto fumava se perdia nela.
e às vezes sabia que a presença, mesmo bruxuleante e vaga, aquela presença dela seria sempre um perder-se nela por perder-se em si mesma.
a vendida e necessária relação de brinquedo.
e quando fumava lembrava-se tristemente dela.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

análises de devaneios

é. e percebo q, numa análise, às vezes não é necessário um ano pra se entender um querer.

às vezes uma sessão de 25 minutos é suficiente.

e percebo q, numa análise, vc tem q estar preparado pra sofrer mto pra poder passar por cima de um outro sofrimento.

e percebo q, minha analista é a pessoa mais humana do mundo. embora ela nunca se mostre assim.

e percebo q eu quero ser como ela.

e percebo q sou única. como ela.

e não como ela.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

violetas e orquídeas

eu não sei porquê, mas também não consigo parar com a mania de fazer músicas.

eu quero. e não sei porquê.

música:
VIOLETA

Amadureça e não se esqueça:
Deixe a cabeça centrada em si mesmo.
Suas espinhas, seus deveres, seus cinemas.
Suas contas, seus problemas, seus poemas.
Sua boca prestes a dizer:

Desapareça! Sai de mim, coisa ruim!
A violeta está pedindo água, alimento e atenção pra florescer.
Olha dentro, bem pra dentro de você.
O que vê além de você?
E o que vê aquém de você?
E o que vê aí em você?
O que vê? O que vê?

Bem sabe que o mundo não pára não pra te esperar.
(Ela te disse há um ano atrás)

O vaso de plástico da violeta.
As folhas verdes da violeta.
A terra que acolhe a violeta.
O sangue verde da violeta.
Os braços abertos da violeta.
Os olhos verdes da violeta sem flores ainda.
A violeta sem flores ainda.

Ao invés da malícia, que venha a justiça.
Pra si. Pra ele. Pra ela.

sábado, 15 de julho de 2006

narciso se ama e se quer

tem jeito não. tem umas manias que a gente não larga nunca, e não porque não consegue, mas simplesmente porque não quer.

porque depois de mais de um ano de análise, seria uma hipocrisia muito grande eu afirmar que a gente faz o que não quer. no fundo no fundo a gente faz o que faz porque quer e pronto.

sim. você chora porque você quer. você não deseja chorar, mas você quer.
e você trabalha porque você quer. pode até não desejar trabalhar, mas quer.

às vezes a gente faz algumas coisas porque somos forçados a fazer. mas, mesmo forçados, a gente faz porque quer.

isso tudo pra dizer que eu não vou por enquanto largar a mania de jogar palavras solitárias nesse imenso deserto de dígitos. porque eu ainda quero me mostrar de alguma forma, nem que seja só pra mim mesma.

e porque quero???

bem, aí acho que lá vem mais um ano de análise....

segunda-feira, 12 de junho de 2006

whatha fuck?

quem? eu? me preocupar?

"Tão doce era o semblante! Sobre os lábios
Flutuava-lhe um riso esperançoso
E o morto parecia adormecido."

Um Cadáver de Poeta, Álvares de Azevedo