sexta-feira, 5 de março de 2010

recados internéticos para luis

grande comunicólogo, há qto não nos teclamos! a vida faz e desfaz os laços e nós, e lá vamos nós aprendendo a arte do encontro! te reencontro aqui, entre os dígitos binários, apenas para dizer: um, dois, lembrei de você, três, tiau! nos vemos um dia, quem sabe, em breve farás anos e me lembrarei novamente de você, que deus te abençoe, com ele encontramos a luz que guia em qualquer escuridão! sonhe, luis, voe entre os braços do tempo e abrace-o: a vida é um deslizar sem tréguas, mas não se entregue à correnteza: tudo há de se dar conforme deus quis: então lute, para que sua causa seja a única correta.

deus é um e está dentro de você

te amo mesmo sem te conhecer

pratique isso. um beijo.




quinta-feira, 4 de março de 2010

ORAÇÃO DE INSPIRAÇÃO LAKOTA

vamo q vamo vou


Oh GRANDE ESPÍRITO, PAI e MÃE de todos os seres viventes
que caminha nas asas do vento e sua voz se faz nos trovões.

Abençoe toda a humanidade, traga luz a nossas mentes.

Que um país não guerreie o outro, que haja paz nos corações.

Que forjem estufas de seus canhões e sementeiras de seus mísseis

Que contemplem a mãe natureza, compreendam suas leis e lições.

Que saibam que a única vitória é a que não deixa derrotados.

Que toda ação e palavras proferidas sejam na direção do amor

Que os víveres de todos os planos possam se sentir amados

Que teus olhos e ouvidos vejam e escutem este clamor.

Que desvaneça o egoísmo e que surja a luz da generosidade.

Que desvaneça a ignorância e que surja a luz da compreensão.

Que desvaneça a falsidade e que surja a luz da verdade.
Que compreendam a felicidade que provém de suas mãos

Que acordem da ilusão das drogas, que saiam da iniqüidade.

Que alcancem o equilíbrio entre o espírito e a razão.

Que se libertem da ilusão da culpa e que vivam a verdade.

Que alcancem o estado de Buda e gozem da liberdade.

Que saibam que o que sai do DIVINO também é divindade.

Que o CRISTO interno dos homens já se torne uma realidade.
Que conheçam o espírito de tribo e que vivam em irmandade.

Que todos compreendam de vez, que para um mundo de paz.

Um sorriso e uma mão firme estendida, muita diferença faz.

Mitakue Oasin.



fonte: céu nossa senhora da conceição

segunda-feira, 1 de março de 2010

sobre os sentidos da vida

Que é que há, Clarice? Eu filosofo sem ter ponto de chegada. Eu estou assustada pelo mundo, dividida pelas minhas relações duvidosas, extremamente cansada de ser cizânia e bizonhice: porra, Clarice, chega.
É claro que há esperança. Ela só pode residir em nós mesmos! Você sabe disso melhor do que eu: olhe pra dentro de si e veja! Eu descobri o meu caminho e digo-lhe: foi sozinha. Só eu e Deus, e Deus nada mais é do que a mais profunda solidão. Então todos os dias encontro-me com esse Divino ao me encontrar comigo mesma. E agradeço: ALHAMDULILLAH, AMÉM, SARAVÁ EU CREIO.
A morte é o fim da estrada, mas é o início do descanso para a próxima jornada.
Lembremo-nos disso sempre, pois o nosso juízo final chegará: ele virá após a última respiração e sim, todos verão o dia das revelações pois todos teremos a fronte tocada por Anúbis: o chacal nos acompanhará através do portal e nos mostrará que Deus nada mais é do que tudo, qualquer um pois o um é único, divino.
Os anjos me dizem que hoje eu sou.
E assim sou, Clarice. Admiro a transcendência e creio no contato. Estou distante de tudo, mas sou o tudo, ao mesmo tempo, e por isso estou aqui contigo pois a distância nos sustenta mas ela se desfaz com um mero mover de células: a alma vibra os neurônios. Pensamento. Pensavento. Sentimento. Sentivento.
Amiga.
Não entenda.
Sinta.
É maravilhoso viver.
É único e passará
Como passaremos
E passarinhos.


in.: cartas p/ clarice, nov/2009

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

encontrando as vozes

Eu acredito em Deus e acredito que Maomé tenha sido um dos mensageiros. Mas sei também que mensagem alguma é eterna pois nada permanece, muito embora tudo esteja conectado: e vieram Abraãão, Moisés, José, Davi, Jesus, Maomé, todos homens de muita fé guiados pelo único Deus que já existiu: Ele, o único, o inapreensível, o onisciente, ALLAH. JEOVÁ. JAVÉ.

Quaisquer sejam os nomes que queremos dar a ele que nos diz com todas as letras:

Qualquer oração tem poder.

Amiga. Deus é o maior. Só ele permanece, e, mesmo assim, nunca é o mesmo. Veja: todos os profetas já se foram, não voltará a voz. Esperamos a grande mudança, o tempo da revolução do espírito: o homem reencontra Deus à medida que conhece a si mesmo. E então ele vê que Deus é o maior e nada suplanta essa realidade. A oração cresce e se torna obra de vida.



in.: cartas p/ vivi, outubro/2009

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

cingi os espíritos

Quem disse que estamos prontos pra morrer? Se nem para a vida estamos prontos, por que estaríamos para a morte?
Ah, meras ilusões. Eis a vida pronta especialmente para a gente.
Bem-te-vi que pousa no galho: ela é fêmea pois não veste a máscara negra. Ela foi embora quando eu levantei o pescoço para não vê-la no braço da árvore que balançava. Ela tinha flores amarelas e sementes que pendiam em vagens sim vastas paisagens se dissolvendo em vida. O vento que me vibra. Os bem-te-vis cantantes. As nuvens que se assomam. Os prédios que se vingam. A anciã que espera. A criança que ainda não foi.
Quem disse que não estamos prontos pra morrer?

in.: carta p/ o sapo e as borboletas

domingo, 21 de fevereiro de 2010

em honra às lágrimas

Todas as lágrimas são justificadas.

Quando caem é para serem verdadeiras

Mesmo num palco de teatro

Ou numa sala de delegacia escura

As lágrimas são lindas

Pois ora, veja a criança que chora

com as mãos cruzadas

e as cabeças entre as pernas

as culpas e as cruzes

não seria sua face

molhada e contraída

o espelho

da própria beleza

de Deus?

Mas não chore,

criança.

É tão bom brincar!.



in.: cartas p/ hugh link

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

o espírito criança

Sim, me lembrei já que ontem outro meninim ligou serelepe pra mim, e a meninice custosa dando cambalhotas pelo texto para relembrar nossas gargalhadas de crianças, éramos pequenos mas sabíamos conversar com os animais, as árvores e as pedras, habilidade que perdemos estupidamente quando nos tornamos adultos; mas o menino gritava: pelota! E era uma bola latina descalça no asfalto, pelada, hermanos e irmãos jogando juntos no mesmo time:
Hasta la revolucion del
Espírito que enche-nos de luz.

Não é preciso saber como. É preciso saber que é.

Sim, pois o sentido é encontro,
Esse é o encontro: sentido!
Eu, você, ele, elas, todos. Um lapso cheio de encontros cósmicos.
Quantos somos, quantos fomos, quantos não somos mais.
Poeira divina
Carreguemos o arsenal do amor. Amém

É bom: luz é Deus. Até a planta sabe.
Vida. Que divino!


in.: cartas p/ felipe

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

sentires

O sentido da vida são sentires

O som da água corrente

A palavra acuosa

A aranha tecendo sobre nós

Os seus muitos olhos.

Bem, o sentido da vida são os encontros.

A folha seca que cai sobre o ombro

De novo a aranha pulando sobre o papel

Os olhos que se cruzam

E as existências que se vão quase sorrindo.

Sim, os sentidos da vida.



in.: cartas p/ helô

sábado, 13 de fevereiro de 2010

inspirando guimarães

O Guimarães, aquele rosa. Ele tinha umas tirada cabulosa. Tipo aquela: viver é muito perigoso. Eita verdade incisiva.

Estou naquele dia de alegria dura, de tristeza lânguida. Não sei da Lua, contemplo os dedos e faceio o sono. A alegria existe e é relance: momentos faceiros e súbitos; a tristeza não existe mas dura uma eternidade.



in.: cartas para amarante

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

sobre a viagem

O céu é bem cinza, as nuvens baixas, a terra úmida. Eis o panorama: o ônibus anda e os pássaros voam. Eu me desloco: busco os caminhos que me levarão a mim mesma. Sei que o conflito é iminente: hei de encarar meus demônios, é época de renovação. Meu corpo busca meu espírito: meus joelhos se articulam para que meus pés me sustentem: minha alma tem o peso dos séculos, e ela quer sorrir, pois o conhecimento é a chave e é atrás dele que eu estou indo. As paixões são passageiras. A essência permanece indefinidamente.

Meu nome é Peregrino e eu procuro Deus.

A grande viagem é a vida, e ela não tem volta.








in.: os cadernos da chapada, vol II - Cavalcante

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Descobrir e Cobrir os Irmãos


Pois ora. Pois ore.

A humanidade é linda, assim como toda criação. Há flores sem tréguas murchando no copo com água. A saudade que se escreve nos sulcos dos troncos das árvores. A fogueira queimando a vida e a água molhando a morte. A viagem singular única: transmigração. Estupor e desprezo. Alegria e tristeza. Rancor e perdão. Os nós atravessados nas cordas que se cruzam. A humanidade criada junto com a terra que se torna barro. Amor.

Fim.

Começo.

Acaso.

Destino.

Meio.



in.: cartas para o sapo e as borboletas

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

a unicidade divina

Sim. Sim. O positivo me invade. É a lembrança de Deus molhando a fronte. Os pés massageando a lama, a fogueira que traz calor, os sonhos da realidade que circunda: estamos todos conectados como células num tecido.

Vejo minha avó tecendo a roca. É a sabedoria em doses homeopáticas: essa que vem dos nossos ancestrais. Eu sei que havia algo sagrado em cada colherada de arroz, em cada movimentar de lenhas. Era lindo. Era amor, mesmo o frango que morria, era amor.

Eu sei que não preciso mais temer a solidão, pois é somente ela que existe. Minha avó sabia. Talvez soubesse ainda mais no dia de sua morte.
Estou cheia. É imenso. Graças a Deus.


in.: os cadernos da chapada, vol II - Cavalcante

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

23-05-09

Não compreendo. Os olhos vêem e são eles que dão a forma. Os olhos pintam os quadros. As imagens nos povoam através dos olhos. Também compreendemos com os olhos.

Os nossos olhos devorando a natureza. Ela de verde geométrica em Brasília, ela também de cinza, natureza humana que é, de cinzas e seca e sintética como o pneu que se gruda fervente no asfalto da capital sem freios. Os nosso olhos no carro cinza que passa levando dentro e embora o nosso amor ingênuo de milênios atrás.

(...)

Vejo-me. Sorrio.

Meu único defeito é ser triste.





in.: cartas para o filósofo

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

sobre o clovis

A FAUSTO

Agora é a vez da boemia da destruição consciente:
Eis meu bêbado amigo Fausto
O falso playboy que virou plebeu
E morou na rua
E fumou na lata
E fez tatoo de cadeia sem precisar ser preso.
Eis meu amigo louvando a vida
Do seu jeito liberto sem cabresto
Falando claro mesmo enrolando a língua.



in.: cartas para helô

domingo, 24 de janeiro de 2010

diálogos em casa de elaine

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DIVAGAÇÕES SOBRE A ROMÃ
D: Como era provar a energia da romã?
T: A romã em seu sabor dava pouco mas gostoso.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sobre o Desejo



Vou aos poucos dissecando o meu mistério interior, essa dor de ser fracasso naquilo que mais desejo: o amor, veja, ele me abandonou no berço. Os homens que amei? Meros brinquedos quando eu mal aprendia a andar, brinquedos que me amaram e que eu amei com a inocência das crianças, meus homens que aos poucos foram desaparecendo do meu horizonte afetivo. E então elas por fim chegaram me avassalando e mostrando a cor de seus sexos sedutores e me tiraram a razão quando eu finalmente gozava na cama pela primeira, segunda, décima vez, e então eu enxerguei o céu e vi que o amor era sério, tão sério que me fazia crescer ao ponto de não me bastar em mim mesma e era eu que queria mais e mais mas não sabia como encontrá-lo, o amor que, finalmente, fugiu de mim me deixando enlouquecida e faminta.



in.: cartas para o reich

sábado, 16 de janeiro de 2010

NA VIRADA DO ANO

A virada do ano: almas em orquestra de batuques.

As sentenças cheias de bonança: os gritos de alegria

E o forró de arrasta-pé trespassado pelos pés no azulejo industrial.

A contemporaneidade aguda: lições e erros

As montanhas que tombam e

Os rios que erigem milagres: impérios de pedra e alma.

Somos nós: homens de mistérios

Nós intrespassáveis, indestrutíveis.

Desafiantes à altura de Alexandre:

Golpeados pela vida mas com o gosto dos sonhos nos lábios.



in.: os cadernos da chapada - vol. II - cavalcante

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

DO EFÊMERO

Levatepelotextoqueinexiste
É a vida: perplexa pois pássaros orquestram
E a abelha dança no movimento dos meus olhos
Mas nós não somos nada pois estamos presos no tempo
E o tempo acaba ali.

Maslevatepelotextoqueinsiste
Há o sonho: ele nos lança ao incorpóreo
E aos reencontros por através do caos do cosmos
Mas nós não somos nada pois vivemos várias vezes
E a vida acaba ali.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

a mágica sem oz

Veja: borboletas não têm sexo e mesmo assim só beijam flores coloridas. Não importa o alvo, só o caminho importa: jogar-se nos campos sonoros, adentrar os tijolos dourados, atravessar o tornado, encontrar o coração mesmo que ele seja de lata. A menina busca seu cão e seu cão busca a humanidade: ele quer ter lágrima, ele quer sorrir. A menina sorri e corre, deslumbrada e ansiosa, ela perscruta todos os ângulos, ela se envergonha e se parabeniza. E busca os rastros do cão que passou antes dela, e segue as pistas que lhe são evidentes até chegar ao castelo onde por fim se despe do vestido azul e se percebe mulher e decide adorar o espelho até finalmente mudar e quebrar o espelho para nunca mais ter que ver sua imagem distorcida pela realidade.

E lá ela permaneceu eterna até se tornar não ela e terminar a estória e adentrar novamente a poesia dos significantes espontâneos e a busca é incessante e os olhos querem flores para as pálpebras, borboletas e asas, leveza inventada de sonhos, anjos de carne que aparecem a mortais feitos de luz.


In.: cartas para luciana

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

no bar em taguá

Quando encontro com as idéias do meu tempo
Os rockeiros de barba e os manos com o som nos dentes
Os panos se abrindo com as garrafas de cerveja
E as idéias do underground rosnando em guitarras
Tenho vontade de gemer de alegria
E sugo os sabores da noite urbana
Com os radares ligados: o inimigo não chega aqui vivo
E se chegar puxamos a cadeira e o bicho se senta
Não importa se o desafio é perdido:
As esquinas trazem o consolo dos brothers
Somos selvagens de calças jeans
E temos todos os futuros pela frente.

domingo, 6 de dezembro de 2009

elocubrações filosofais

A morte é a passagem para a ausência de tempo. Quando nascemos, é como o tempo que nos tornamos mulheres, homens, seres. Nos percebemos. Somos e convidamos o pensamento a trotar por terrenos diversos. Somos dentro do tempo e através do espaço.
Quando morremos, saímos do tempo e adentramos a realidade turbilhônica e estática do instantâneo.
Sim, é o tempo que nos traz a vida e ela em nós cultiva. Quando ele nos abandona, somos tragados pelo mistério da morte.
Bendito e maldito tempo, que tudo nos dá e facilmente nos tira tudo.
(...)
Sim. Eis me viva como o vento que sopra sua respiração deliquescida. Milagre do encontro com o além de mim que a mim convida: sinta, a brisa nos traz frescor, ela alivia os terremotos. É o descer do dia trazendo o seu bafo frio.
O fim da vida é como o fim do dia: fogo que se apaga sem quê nem qual.
(...)
Sim. Sim. Estou mais próxima de tudo. Próxima de meu escuro ensurdecedor.
Limitude. Eis minha verdade dolorosa, avassaladora como a morte...
(...)
Nem deus conseguiria me dar o tudo.

in.: cartas p/ clarice

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

sobre a vida e a morte

10-10-09


Diálogo com Rick


“A gente vem sem saber por quê

E a gente vai sem saber pra onde”

domingo, 22 de novembro de 2009

O SINAL DOS TEMPOS SEM DATA

Oh loucura vil dos homens, lançados a suas paixões passageiras como se condenados ao abismo da morte, quando na verdade não percebem que a morte é o caminho turbulento rumo à eternidade e que na verdade é a vida o verdadeiro mistério, a ardência incessante, o fremir do martelo do juiz invisível.
Mas eis nos: sedentos de sonhos como se de água, a procura de um ego como se de deus, movidos por nossas ilusões inventadas, rasgando mandamentos de pedra, apagando os ecos das orações pronunciadas, derrubando cruzes.



in.: cartas para helô

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

PROFECIA COTIDIANA

Agora, amiga, eis a primavera chuvosa de Brasília. Sinfonia de cigarras e árvores de flamboyant. O esverdear dos gramados geométricos.

Nessa manhã cinzenta Deus veio falar comigo através da minha própria boca. Ele dizia da dor de adorar a si próprio, a maldição do espelho, ao mesmo tempo em que me lembrava da liberdade de ser instante, de pulsar em coração e alma. Pela minha boca saíram palavras com o peso dos séculos. ALLAH! Deus fala na língua dos homens, árabe, hebraico ou brasileiro, e eis que eu agradeci pelo poder da respiração que sopra a palavra: AMÉM, Deus é a força que emana do um para os muitos e em direção ao todo inexorável.

Eu nessa manhã pedindo força e empurrando os minutos com as pálpebras cansadas e os pulmões atordoados de tantos cigarros e a mente frenética e o frio na barriga que quer descanso numa cama macia.

Ui. Que letargia. Daí-me forças, senhor.

Pois tem sido assim, amiga. Um desenrolar exasperante de dias. Perdi a a autoridade sobre mim mesma. O tempo me engole e Deus me ampara.


in.: cartas para giuliani.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

no durante era o verbo ou sobre deus e monoteísmo

Gabi. Turbilhão. Eu frenética. É que sou sentimento e quero abraçar o mundo inteiro: quero entendê-lo, deixar que me tome, me use como instrumento: eis Deus sendo todo poderoso, conceito que me invade: é triste, mas vivamos pois ao menos podemos orar e pedir ajuda, já que estamos sós e desesperados e todas as luzes se apagaram, veja, eis que surge a luz e é a palavra, o verbo: palavrear sem freios, deixar que a idéia surja e a esperança resista.


Fim. De novo.

Gabi. Turbilhão. Eu ...
(...)








in.: cartas para g. branquinho

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

carta relâmpago para amarante

Amigo Henrique Machado Amarante.

Por favor, lembre-se: a vida é curta e não há tempo pra besteiras.









Um beijo e um queijo cheiroso.

P.S.: é que tenho que fazer tantas coisas que os espaços em branco se me tornaram tão desejados!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

cartas p/ g. branquinho

Eu me leio tropeçando feio já aos 26 anos de idade, a casa vazia, os olhos vacilantes, a solidão cavalar: troto sozinha os mundos que sem perceber invento. E tem sido ventos de esfriar as lágrimas, terrenos acidentados, tepidez desértica arrebatando a alma. Aprendo na marra: meus dias são só meus, carrego-os nos ombros, estou sonora pois choro os rios que em mim deságuam: anos e anos de humanidade acumulada latejando no meu sangue que nesse momento vive.

Sim, eis o meu sangue que vive vermelho e que morre logo ali, como se simples assim fosse.

Mas não é. E infinitas idéias vivem no meu sangue que pulsa através do tempo.

Estou

ficando

louca

com tantas idéias.

Não que seja verdade que eu realmente esteja mentalmente lesada, mas sim, estou enlouquecida. Não me caibo em mim, mais do que nunca tomada por minhas fraquezas e sustentada pelos meus sonhos vagos.




sábado, 24 de outubro de 2009

POESIA DA ROTINA DIÁRIA DO MEU TEMPO

QUERO ESCREVER A POESIA DA NEGRA ESPERANÇA
ONDE OS SONHOS CARREGAM GRILHÕES E SE ARRASTAM
ANTE A VISÃO MÓRBIDA DO PRESENTE.
AS VOZES QUE SÃO CALADAS
A MELODIA TRISTE DAS ROTINAS DIÁRIAS
DE HOMENS E JORNAIS.


In.: cartas para o maestro.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A TECER ILUSÕES ... ATÉ SER ILUSÃO

Bem diante de mim minha verdade escancarada:
Foi pra isso que vim: para ter a missão num abraço
E no regaço o descanso do próprio destino,
A manhã se abrindo ou o sol a pino,
O amor platônico ou a paixão inventada
Com café bem forte ou chá de jasmim
Diante de mim num sorriso o cotidiano aberto.

Pois a poesia vibra vida nas notas de um violão
E na mão que treme um verso desescondido:
Despertar do dia na alegria simples de uma rima,
A mesma que ensina
A supremacia da beleza entristecida
Que observa a tecitura de todas nossas ilusões sublimes.


Alinhar à direita
in.: cartas para helô

sábado, 17 de outubro de 2009

diálogos na internet II

PAULO diz:

O FUTURO NAO PERTENCE A NOS

ELE É QUE É DONO DA GENTE

Gertrud diz:

eu não sei disso

ele quem?

PAULO diz:

O FUTURO

NAO O CONTROLAMOS

Gertrud diz:

ah sim

eu pensei q fosse deus

pq o futuro a deus pertence

PAULO diz:

ENTAO SE PERTENCE A DEUS SOMOS SÓ ESPECTADORES

Gertrud diz:

tipo isso

mas não só espectadores pq tb somos personagens

PAULO diz:

SOMOS PERSONAGENS MAS NAO CONTROLAMOS A HISTORIA O TEXTO JÁ VEM PRONTO

Gertrud diz:

mas todo ator que é ator sabe improvisar



quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A KHOLSTOMER DE TOLSTÓI

(mais um pôr-do-sol no monumental)

Quando tenho pena de mim mesma
Sofro como uma égua velha
Que come devagar e tristemente
E leva a barriga imensa pesando nas costelas
Como se carregasse dentro do ventre
A própria dor do deus que foi perdido.
Depois da pena, segue o desleixo
E no meu corpo gasto e abandonado
Meus pêlos pendem animalescos e indispostos.
Como uma égua velha durmo em pé
Apagando a vida e procurando o sonho.


in.: os cadernos de brasilha, 29-07-09

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

os trotamundus

saudades bem cabeludas: olhe que belas

pernas que correm nuas no campo isolado

pés que tocam tambores com o chão

palavras que inventam viagens

andávamos e portanto andarilhos

nesses mundos nos deixamos assim

na medida em que vinha o vento


ao pararmos era longe e olhamos para trás

não havia volta: às costas

nosso destino nos esperava:

junto a um cavalo selado

as roupas e o livro em branco

prestes a ser escrito


Trotamundus! Eia,

Aqui é além

Os laços também são nós.


in.: cartas para felipe lott

sábado, 10 de outubro de 2009

POEMA

Solitária escrevo para qualquer um que compreenda:

A vida é uma bruta duma contenda.

Uma disputa entre o claro e o escuro.

Por vezes as trevas comandam

E a alma às cegas apalpa navalhas

Feridas que desnorteiam os destinos.

A escuridão onde se escondem rancores e mágoas.

Em outras: eis a luz: a alma que abre a janela.

Lentamente, o desvendar do segredo da cela:

O túnel que guia à liberdade...

Caminho estreito e longo na direção do oblíquo.

Luz que me guia através do escuro.



in.: cartas para dra. L.



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

pôr-do-sol no monumental

Eis a vida: ela nasce e cresce, simples assim.
Nesse interim, eis-nos. Nunca os mesmos.
Pela manhã berramos a fome: queremos
Peito no nosso peito, alimentação de calor.
Ah, a dor do primeiro corte, a eterna separação
De si mesmo no outro.
Aberto ao contrário: somos os assassinos
De nossos próprios desejos.
Não temos idéia da grandeza que somos
E pela noite morremos
Como se começássemos a sonhar.


in.: os diários de Brasilha, 09-09-09

terça-feira, 22 de setembro de 2009

SOBRE EUS E SENADORES

Ah, a literatura é academia que é quimera diante da vida ególatra que quer gritar: mulheres e homens de toda a Terra, uni-vos em prol da vida! E eis que o coração pulsa e a alma sonha e quer desconjuntar a superestrutura desse nosso atual sistema pseudo-democrático, essa democracia que nada mais é que uma burocracia do demo, onde satanás com seus belzebuzinhos faz morrer milhares para apadrinhar alguns que jogam dados e decidem vidas e leis, sistema de apostas de vaidades e de joguetes de poderes, colarinhos roxos (de falta de vergonha) e presidentes do senado ilesos saindo com os rabos escondidos dentro das calças nos carros oficiais para os apartamentos funcionais para as milhas e milhas de viagens para toda a família: Sra. Senadora, Srta. Senadorinha, Senador Jr., Vovó Senadorona, Genro Senador e Nora Senadora, sobrinho Doutor Senador, Dona Senadorinha, e tantos outros da mesma estirpe, sustentados pela ruína moral de um país inteiro.
Eis a burocracia da pseudo-democracia do demo, o povo. Que povo é esse que acata isso? Que povo é esse que se vende por isso? Não é o mesmo povo das escolas negligenciadas deliberadamente e dos hospitais sem leis e das periferias explosivas, enfumaçadas de pedra e descaso? Ou o país dos interioranos sem água mas cheios de esperança nas promessas dos crápulas de gravatas que enchem suas piscinas com água mineral e cheiram cocaína no lixo da nossa Constituição? Sim, eis o país que fazemos e que fizemos desde tempos irrefletidos, perdidos na nossa memória coletiva, nossa história de reis, coronéis ou senadores, quaisquer desses déspotas sem vergonha que comandam prefeituras, berçários, delegacias, tribunais, secretarias.
Que mundo é esse que construímos?
Amiga engenheira...
Roguemos às pedras dos túmulos de Che Guevara ou Ghandi, esses homens sem túmulos, sim, roguemos às pedras da Terra que engole os corpos físicos mas que absorve também a energia de toda a nossa história; que a utopia viva e a mudança aconteça, primeiramente dentro de nós.
Eu vivo para procurar a cura.
Eu acredito em milagres.
Que a humanidade renasça outra vez.


in.: cartas para vivi

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ciborguear guerreando e cagando

Às vezes escrevo não para tentar fazer poesia ou divagação filosófica, mas simplesmente para entrar em contato com algum ser humano, um contato físico, pelos átomos do papel e pela emoção da caligrafia, um contato que ecoe o incrível da experiência humana.

Sim, ser humano humano humano e desconhecer o que é humano... Ser pulsão e irracionalidade e pensamento e ciência. O que é Deus? O que é universo?

Amigo! A filosofia não comporta a magnitude infinita do universo, muito menos a ciência o faria!

Mas a religião aponta um dos caminhos: o espírito é necessário e a humanidade não deve compartimentar seus conhecimentos: a transdisciplinariedade, contudo, existe?

Como conhecer sem criar um ponto de vista?

Para ler Machado ou Huxley, preciso ter a literatura em vista?

Para ler o mundo, só a antropologia basta?


O mundo está mudando freneticamente. Vivemos a era intensa da revolução digital e tecnobiológica (genética!). Mudamos paradigmas em questão de décadas. Cagamos nas mesmas instituições que ajudamos a criar. Comemos lixo. Assassinamos nossos descendentes e desrespeitamos nossos ascendentes. Maculamos nossa própria casa e jogamos pedras nas dos outros.

Onde paramos? Já nem sabemos mais porque ir.

Que geração é essa, que consome todas suas esperanças em janelas de computadores?



In.: cartas para o filósofo

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

a invenção de nós mesmos

Não. Não melembrodosmeussonhos.
Mas abro os olhos para a realidade lancinante da vida: nada vale a pena, nem uma palavra, nem um poema. Não existe pena que valha, apenas somos todos tragados pelo movimento pendular da vida. Ela nos empurra para cá e para lá, num ciclo indefinitivamente, até que o cordão arrebente e cortemos qualquer ligação com essa existência misteriosa.
Sim, nada vale a pena até que inventemos algo fantástico que nos faz permanecer vivos como sombras fantasmagóricas que somos: meros bibelôs do universo, enfeitando uma sala de visitas que não reparam em nada. Passamos pela vida como bólidos que se dissipam deixando um rastro que também se apaga. Somos marionetes manipuladas pela mão do invisível que nos engole.
Assim, então, que invento hoje para valer a pena? Brinco com a esperança dissimulada que tenta ser verdadeira dentro de minha fantasia. Olho ao redor e percebo os homens: estão vencidos, comprados, corrompidos pelos seus próprios desejos. Então eu choro e percebo que minha invenção é como um brinquedo para alguém que já cresceu: nada mais sem propósito, porém dotado de alguma beleza nostálgica e impertinente. Minha imaginação também se corrompeu e eu jogo com os dados das Parcas, que, sorridentes, engendram meu destino de vivente fugaz que se apaga no tempo irrefletido.
Observo minha vida: não há propósitos e nem destinos. Apenas. Caminhos.


in.: cartas para amarante, o machado

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

garimpando destinos

Sim, sou como ele e como vários, eu, ele, nós, vocês, todos. Uma humanidade inteira numa ínfima faísca de luz que nasce no tempo. Assim como se Deus quisesse algo, eis Adão surgindo e comendo com Eva. Eis o desejo que escapa por entre os dedos de Deus só para ser pego logo ali, como se Deus tivesse mãos.
O universo é o meu eu ao avesso. Tantos universos! Incontáveis eus passageiros, boiando na essência do cosmos! Oh, matéria inapreensível, energia inabalavelmente misteriosa!
Quem disse que não há destino, quem falou? Que destino ingrato esse do que não tem destino, se movendo ao léu em meio a uma indefinição avassaladora! Ah, abismo de escuros, explosões dolorosas de luz, ah, incoerências!
Mas no meu palco eis o enredo já escrito, na antesala entre a realidade e o teatro, no interim entre o tempo e a imobilidade. Eis o intervalo enigmático onde deita a vontade de Deus.


in.: os cadernos da chapada - 21-07-09

terça-feira, 8 de setembro de 2009

subindo a antena de são jorge, GO

A manhã já passou. Eu espero a onda do dia que vem me beijar devagar, como se eu fosse praia... O salgado do mar me vem à boca: é a brisa que sopra metáforas no meu rosto.
(...)
Pôr-do-sol na antena de celular. O laranja que se dissipa, o azul-lilás, sinestesia silenciosa.
Pássaros muitos pretos e marrons.
Estranhos que vêm e se vão como se nunca houvessem existido.
Sim, sim, sim, estou aqui mesmo como se nunca estivesse, estou e estarei.
E cada lágrima é um sorriso a menos
Ou um ensinamento a mais.


in.: os cadernos da chapada, 22-07-09

terça-feira, 1 de setembro de 2009

carta p/ g. branquinho

Se eu te escrevesse algo sobre o amor seria que os relacionamentos humanos, principalmente os que envolvem sexo, são todos problemáticos e inexplicáveis, e por isso mesmo acabam por trazer muita dor de cabeça e, principalmente as, fincadas no coração.

Homens e mulheres são todos muito vulneráveis e por isso mesmo egoístas, por vezes cruéis sem nem o saber.

Mas sim, como é bom sentir no peito a leveza pura e simples dos apaixonados...

E, no entanto, eis-nos amigas e mulheres que amamos demais às nossas maneiras, completamente conscientes da insanidade imoral ou doentia desse amor de querer ter, possuir entre os braços, acalentar no regaço, dizer o que quer que seja, amenidades...

E de repente a quebra: por um motivo ou outro, nós impedidas de amar esse ou aquela, indefesas, vencidas pelas conseqüências da vida.

Mas persistamos. A esperança é o dom eterno.

Não sei o que é escrever cartas, Gabriela.

Sigo a linha da vida e ela grita.

Passarela onde desfilo: parágrafos.

Quartos que se abrem para que estranhos entrem.

Sejam bem-vindos ao submundo de mais um de meus eus.

Líricos.

Versos ricos como os lírios do campo

Amplo

Paráfrase sem licença: pena sem juiz: roupa sem costura.

Qualquer palavra que se sinta...

Seja bem vindo, seja bem-vinda.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

o afogamento da musa

No fim da linha da estrada some minha amada que se afoga detrás do horizonte. Nunca mais a verei como a vi sem nunca conhecê-la verdadeiramente mesmo com o meu corpo inteiro a cantar o seu nome impronunciável. Ela que não era bela nem feia nem era qualquer qualidade aquém ou além do sublime. Ela que existiu somente nos meus sonhos mais espontâneos e livres. Ela que foi-se embora por detrás do horizonte sem me dar o sabor de um beijo sequer.

in.: os cadernos da chapada

domingo, 23 de agosto de 2009

O CAMINHO PARA A ALDEIA DA LUA

Andar sozinha no mato e não chegar a lugar algum além do próprio horizonte individual. Percorrer página e páginas de um livro e não ler história alguma além da própria estória, em cada entrelinha, em cada reticências...
Sim. Eu me tenho desesperadamente e sinto o ar do pomar inexistente que existe em minha casa amarela deitada no vale aberto de meus sonhos.
Hoje o dia passou sorrateiro... Andei solitária pelos caminhos que cortam a terra e segui os vôos das borboletas, a natureza brincou comigo em seus enigmas silenciosos. Ao mesmo tempo, sua orquestra de sons verdes preenchia meu derredor de modo solitário e ritualístico. Cada passo meu era uma oração inteira. Eu senti a tristeza do leito do rio que se deitava melancólico sobre as pedras.
Era lodo e frio. Já o cascalho era seco e tilintava quebradiço. A umidez das baixadas tinha os cheiros da minha infância. Uma flor vermelha piscou pra mim.
Feliz fiquei. E assim mesmo chorei.


iN.: os cadernos da chapada - 19-07-09

sábado, 15 de agosto de 2009

DIÁLOGO COM MENIN

- Olha o rio!
- Olhei. E agora?
- Agora já é outro!

In.: os cadernos da chapada