domingo, 24 de janeiro de 2010

diálogos em casa de elaine

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DIVAGAÇÕES SOBRE A ROMÃ
D: Como era provar a energia da romã?
T: A romã em seu sabor dava pouco mas gostoso.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sobre o Desejo



Vou aos poucos dissecando o meu mistério interior, essa dor de ser fracasso naquilo que mais desejo: o amor, veja, ele me abandonou no berço. Os homens que amei? Meros brinquedos quando eu mal aprendia a andar, brinquedos que me amaram e que eu amei com a inocência das crianças, meus homens que aos poucos foram desaparecendo do meu horizonte afetivo. E então elas por fim chegaram me avassalando e mostrando a cor de seus sexos sedutores e me tiraram a razão quando eu finalmente gozava na cama pela primeira, segunda, décima vez, e então eu enxerguei o céu e vi que o amor era sério, tão sério que me fazia crescer ao ponto de não me bastar em mim mesma e era eu que queria mais e mais mas não sabia como encontrá-lo, o amor que, finalmente, fugiu de mim me deixando enlouquecida e faminta.



in.: cartas para o reich

sábado, 16 de janeiro de 2010

NA VIRADA DO ANO

A virada do ano: almas em orquestra de batuques.

As sentenças cheias de bonança: os gritos de alegria

E o forró de arrasta-pé trespassado pelos pés no azulejo industrial.

A contemporaneidade aguda: lições e erros

As montanhas que tombam e

Os rios que erigem milagres: impérios de pedra e alma.

Somos nós: homens de mistérios

Nós intrespassáveis, indestrutíveis.

Desafiantes à altura de Alexandre:

Golpeados pela vida mas com o gosto dos sonhos nos lábios.



in.: os cadernos da chapada - vol. II - cavalcante

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

DO EFÊMERO

Levatepelotextoqueinexiste
É a vida: perplexa pois pássaros orquestram
E a abelha dança no movimento dos meus olhos
Mas nós não somos nada pois estamos presos no tempo
E o tempo acaba ali.

Maslevatepelotextoqueinsiste
Há o sonho: ele nos lança ao incorpóreo
E aos reencontros por através do caos do cosmos
Mas nós não somos nada pois vivemos várias vezes
E a vida acaba ali.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

a mágica sem oz

Veja: borboletas não têm sexo e mesmo assim só beijam flores coloridas. Não importa o alvo, só o caminho importa: jogar-se nos campos sonoros, adentrar os tijolos dourados, atravessar o tornado, encontrar o coração mesmo que ele seja de lata. A menina busca seu cão e seu cão busca a humanidade: ele quer ter lágrima, ele quer sorrir. A menina sorri e corre, deslumbrada e ansiosa, ela perscruta todos os ângulos, ela se envergonha e se parabeniza. E busca os rastros do cão que passou antes dela, e segue as pistas que lhe são evidentes até chegar ao castelo onde por fim se despe do vestido azul e se percebe mulher e decide adorar o espelho até finalmente mudar e quebrar o espelho para nunca mais ter que ver sua imagem distorcida pela realidade.

E lá ela permaneceu eterna até se tornar não ela e terminar a estória e adentrar novamente a poesia dos significantes espontâneos e a busca é incessante e os olhos querem flores para as pálpebras, borboletas e asas, leveza inventada de sonhos, anjos de carne que aparecem a mortais feitos de luz.


In.: cartas para luciana

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

no bar em taguá

Quando encontro com as idéias do meu tempo
Os rockeiros de barba e os manos com o som nos dentes
Os panos se abrindo com as garrafas de cerveja
E as idéias do underground rosnando em guitarras
Tenho vontade de gemer de alegria
E sugo os sabores da noite urbana
Com os radares ligados: o inimigo não chega aqui vivo
E se chegar puxamos a cadeira e o bicho se senta
Não importa se o desafio é perdido:
As esquinas trazem o consolo dos brothers
Somos selvagens de calças jeans
E temos todos os futuros pela frente.

domingo, 6 de dezembro de 2009

elocubrações filosofais

A morte é a passagem para a ausência de tempo. Quando nascemos, é como o tempo que nos tornamos mulheres, homens, seres. Nos percebemos. Somos e convidamos o pensamento a trotar por terrenos diversos. Somos dentro do tempo e através do espaço.
Quando morremos, saímos do tempo e adentramos a realidade turbilhônica e estática do instantâneo.
Sim, é o tempo que nos traz a vida e ela em nós cultiva. Quando ele nos abandona, somos tragados pelo mistério da morte.
Bendito e maldito tempo, que tudo nos dá e facilmente nos tira tudo.
(...)
Sim. Eis me viva como o vento que sopra sua respiração deliquescida. Milagre do encontro com o além de mim que a mim convida: sinta, a brisa nos traz frescor, ela alivia os terremotos. É o descer do dia trazendo o seu bafo frio.
O fim da vida é como o fim do dia: fogo que se apaga sem quê nem qual.
(...)
Sim. Sim. Estou mais próxima de tudo. Próxima de meu escuro ensurdecedor.
Limitude. Eis minha verdade dolorosa, avassaladora como a morte...
(...)
Nem deus conseguiria me dar o tudo.

in.: cartas p/ clarice

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

sobre a vida e a morte

10-10-09


Diálogo com Rick


“A gente vem sem saber por quê

E a gente vai sem saber pra onde”

domingo, 22 de novembro de 2009

O SINAL DOS TEMPOS SEM DATA

Oh loucura vil dos homens, lançados a suas paixões passageiras como se condenados ao abismo da morte, quando na verdade não percebem que a morte é o caminho turbulento rumo à eternidade e que na verdade é a vida o verdadeiro mistério, a ardência incessante, o fremir do martelo do juiz invisível.
Mas eis nos: sedentos de sonhos como se de água, a procura de um ego como se de deus, movidos por nossas ilusões inventadas, rasgando mandamentos de pedra, apagando os ecos das orações pronunciadas, derrubando cruzes.



in.: cartas para helô

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

PROFECIA COTIDIANA

Agora, amiga, eis a primavera chuvosa de Brasília. Sinfonia de cigarras e árvores de flamboyant. O esverdear dos gramados geométricos.

Nessa manhã cinzenta Deus veio falar comigo através da minha própria boca. Ele dizia da dor de adorar a si próprio, a maldição do espelho, ao mesmo tempo em que me lembrava da liberdade de ser instante, de pulsar em coração e alma. Pela minha boca saíram palavras com o peso dos séculos. ALLAH! Deus fala na língua dos homens, árabe, hebraico ou brasileiro, e eis que eu agradeci pelo poder da respiração que sopra a palavra: AMÉM, Deus é a força que emana do um para os muitos e em direção ao todo inexorável.

Eu nessa manhã pedindo força e empurrando os minutos com as pálpebras cansadas e os pulmões atordoados de tantos cigarros e a mente frenética e o frio na barriga que quer descanso numa cama macia.

Ui. Que letargia. Daí-me forças, senhor.

Pois tem sido assim, amiga. Um desenrolar exasperante de dias. Perdi a a autoridade sobre mim mesma. O tempo me engole e Deus me ampara.


in.: cartas para giuliani.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

no durante era o verbo ou sobre deus e monoteísmo

Gabi. Turbilhão. Eu frenética. É que sou sentimento e quero abraçar o mundo inteiro: quero entendê-lo, deixar que me tome, me use como instrumento: eis Deus sendo todo poderoso, conceito que me invade: é triste, mas vivamos pois ao menos podemos orar e pedir ajuda, já que estamos sós e desesperados e todas as luzes se apagaram, veja, eis que surge a luz e é a palavra, o verbo: palavrear sem freios, deixar que a idéia surja e a esperança resista.


Fim. De novo.

Gabi. Turbilhão. Eu ...
(...)








in.: cartas para g. branquinho

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

carta relâmpago para amarante

Amigo Henrique Machado Amarante.

Por favor, lembre-se: a vida é curta e não há tempo pra besteiras.









Um beijo e um queijo cheiroso.

P.S.: é que tenho que fazer tantas coisas que os espaços em branco se me tornaram tão desejados!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

cartas p/ g. branquinho

Eu me leio tropeçando feio já aos 26 anos de idade, a casa vazia, os olhos vacilantes, a solidão cavalar: troto sozinha os mundos que sem perceber invento. E tem sido ventos de esfriar as lágrimas, terrenos acidentados, tepidez desértica arrebatando a alma. Aprendo na marra: meus dias são só meus, carrego-os nos ombros, estou sonora pois choro os rios que em mim deságuam: anos e anos de humanidade acumulada latejando no meu sangue que nesse momento vive.

Sim, eis o meu sangue que vive vermelho e que morre logo ali, como se simples assim fosse.

Mas não é. E infinitas idéias vivem no meu sangue que pulsa através do tempo.

Estou

ficando

louca

com tantas idéias.

Não que seja verdade que eu realmente esteja mentalmente lesada, mas sim, estou enlouquecida. Não me caibo em mim, mais do que nunca tomada por minhas fraquezas e sustentada pelos meus sonhos vagos.




sábado, 24 de outubro de 2009

POESIA DA ROTINA DIÁRIA DO MEU TEMPO

QUERO ESCREVER A POESIA DA NEGRA ESPERANÇA
ONDE OS SONHOS CARREGAM GRILHÕES E SE ARRASTAM
ANTE A VISÃO MÓRBIDA DO PRESENTE.
AS VOZES QUE SÃO CALADAS
A MELODIA TRISTE DAS ROTINAS DIÁRIAS
DE HOMENS E JORNAIS.


In.: cartas para o maestro.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A TECER ILUSÕES ... ATÉ SER ILUSÃO

Bem diante de mim minha verdade escancarada:
Foi pra isso que vim: para ter a missão num abraço
E no regaço o descanso do próprio destino,
A manhã se abrindo ou o sol a pino,
O amor platônico ou a paixão inventada
Com café bem forte ou chá de jasmim
Diante de mim num sorriso o cotidiano aberto.

Pois a poesia vibra vida nas notas de um violão
E na mão que treme um verso desescondido:
Despertar do dia na alegria simples de uma rima,
A mesma que ensina
A supremacia da beleza entristecida
Que observa a tecitura de todas nossas ilusões sublimes.


Alinhar à direita
in.: cartas para helô

sábado, 17 de outubro de 2009

diálogos na internet II

PAULO diz:

O FUTURO NAO PERTENCE A NOS

ELE É QUE É DONO DA GENTE

Gertrud diz:

eu não sei disso

ele quem?

PAULO diz:

O FUTURO

NAO O CONTROLAMOS

Gertrud diz:

ah sim

eu pensei q fosse deus

pq o futuro a deus pertence

PAULO diz:

ENTAO SE PERTENCE A DEUS SOMOS SÓ ESPECTADORES

Gertrud diz:

tipo isso

mas não só espectadores pq tb somos personagens

PAULO diz:

SOMOS PERSONAGENS MAS NAO CONTROLAMOS A HISTORIA O TEXTO JÁ VEM PRONTO

Gertrud diz:

mas todo ator que é ator sabe improvisar



quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A KHOLSTOMER DE TOLSTÓI

(mais um pôr-do-sol no monumental)

Quando tenho pena de mim mesma
Sofro como uma égua velha
Que come devagar e tristemente
E leva a barriga imensa pesando nas costelas
Como se carregasse dentro do ventre
A própria dor do deus que foi perdido.
Depois da pena, segue o desleixo
E no meu corpo gasto e abandonado
Meus pêlos pendem animalescos e indispostos.
Como uma égua velha durmo em pé
Apagando a vida e procurando o sonho.


in.: os cadernos de brasilha, 29-07-09

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

os trotamundus

saudades bem cabeludas: olhe que belas

pernas que correm nuas no campo isolado

pés que tocam tambores com o chão

palavras que inventam viagens

andávamos e portanto andarilhos

nesses mundos nos deixamos assim

na medida em que vinha o vento


ao pararmos era longe e olhamos para trás

não havia volta: às costas

nosso destino nos esperava:

junto a um cavalo selado

as roupas e o livro em branco

prestes a ser escrito


Trotamundus! Eia,

Aqui é além

Os laços também são nós.


in.: cartas para felipe lott

sábado, 10 de outubro de 2009

POEMA

Solitária escrevo para qualquer um que compreenda:

A vida é uma bruta duma contenda.

Uma disputa entre o claro e o escuro.

Por vezes as trevas comandam

E a alma às cegas apalpa navalhas

Feridas que desnorteiam os destinos.

A escuridão onde se escondem rancores e mágoas.

Em outras: eis a luz: a alma que abre a janela.

Lentamente, o desvendar do segredo da cela:

O túnel que guia à liberdade...

Caminho estreito e longo na direção do oblíquo.

Luz que me guia através do escuro.



in.: cartas para dra. L.



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

pôr-do-sol no monumental

Eis a vida: ela nasce e cresce, simples assim.
Nesse interim, eis-nos. Nunca os mesmos.
Pela manhã berramos a fome: queremos
Peito no nosso peito, alimentação de calor.
Ah, a dor do primeiro corte, a eterna separação
De si mesmo no outro.
Aberto ao contrário: somos os assassinos
De nossos próprios desejos.
Não temos idéia da grandeza que somos
E pela noite morremos
Como se começássemos a sonhar.


in.: os diários de Brasilha, 09-09-09